sábado, 27 de novembro de 2010

Torneio Aberto da AABB - Vice-campeão!


Dessa vez o torneio foi num sistema diferente. A primeira fase consistia em um sistema suiço de 5 rodadas no qual classificavam-se os quatro primeiros colocados para jogar a semifinal (1º x 3º e 2º x 4º) e final em 4 partidas de 5min. Ou seja, quem chegasse a 2,5 pontos vencia o match.

Na primeira fase a classificação geral ficou Eduardo Munoa em primeiro, Eu em segundo, Mário Fabris em terceiro e Fábio Goetz em quarto. O que não mudou nada depois dos Matches:

Semifinal

Eduardo Munoa 3 x 0 Mário Fabris
Eider Cruz 3 x 0 Fábio Goetz

Final

Eduardo Munoa 2 x 2 Eider Cruz
Armagedon - 0,5 x 0,5


Disputa 3º Lugar

Mário Fabris 2,5 x 0,5 Fábio Goetz

Fábio Goetz e Mário Fabris, Novembro 2010

Para quem não sabe, o Armagedon consiste em uma partida de 6min para as brancas e 5min para as pretas, com a vantagem do empate para o segundo jogador. Saí da abertura com uma pequena vantagem, mas depois que o Munoa por desatenção trocou duas peças pela minha torre, minha vantagem ficou muito grande. No entanto, após eu ter perdido um 31. Cd7 matador depois do cheque de torre no fundo, meu adversário tomou as rédeas da partida e não me deu mais chance. 31. Cd7 além de ameaçar a torre de b6, ameaçaria Cf8+ seguido de Cg6+ e Th8 mate, o que faz com que as negras sejam obrigadas a trocar a torre pelo cavalo ficando com peça a menos sem compensação alguma. Eis o vídeo da partida:



Depois dessa partida fui direto pra rodoviária encontrar minha namorada para irmos ver o show do Paul McCartney no Morumbi, já que não conseguimos os ingressos para assistir aqui no Beira-Rio. O show foi simplesmente indescritível, algo que vai ficar marcado pra sempre na minha memória. Compartilho com os amigos um vídeo com as primeiras músicas tocadas no show. Eletrizante:



É isso ae por ora pessoal!
Abraços!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Torneio Aberto Cidade de Dois Irmãos - Campeão!

Realizou-se no dia 13 de novembro o Torneio aberto cidade de Dois Irmãos. Acabei saindo campeão com 4,5 em 5, empatado em todos os critérios com Eduardo Munoa. É importante salientar a presença no torneio da gurizada - do sub 10 ao sub 18 - provinda de várias escolas da região, o que dá ainda esperança de um bom futuro para o xadrez gaúcho. Um exemplo é o jogador de apenas 8 anos de idade, José Pedro Costa Curta que já vem a um bom tempo acumulando títulos na sua categoria. Eu joguei com ele na primeira rodada e não foi nada fácil. O guri é cheio de idéias.

José Pedro Costa Curta x Eider Cruz
Dois Irmãos, 2010

Na segunda rodada enfrentei o enxadrista de Dois Irmãos Maikon Diel e na terceira enfrentei o amigo Natan numa partida muito curiosa, em que, embora eu tivesse vantagem no centro de peões, o meu rei se encontava desconfortável no centro. Mas mediante algumas trocas consegui aliviar a tensão e meu adversário abandonou antes que eu realizasse a vantagem.


Nessa posição eu joguei 1. ... Txe3 e após 2. Txe3 Db6 seguido de 3. ... Bc5 entrando num final com grande vantagem.

Na quarta rodada joguei com João Carlos Orguim, o árbitro oficial dos eventos muito bem organizados do Metrópole Xadrez Clube. Joguei uma Catalã e pude aproveitar bem a vantagem em espaço na ala da dama. Na quinta rodada joguei com Eduardo Munoa e após um meio jogo conturbado pra mim pela vantagem do par de bispos do meu adversário e um mate em 1 que ele deixou passar (o que é muito raro acontecer!) consegui segurar o empate no final. Acredito que a posição mais crítica da partida tenha sido essa:


Nessa posição meu adversário resolveu sacrificar um peão para abrir linhas para seus bispos com 1. e4 fxe4 2. fxe4 Cxe4 agora é interessante a variante 3. Bd5 Cxd2 4. Txe7 Cxb3 5. Bxb3 com boa vantagem pro branco. Munoa escolheu jogar 3. Bf4 e após Cdf6 as pretas continuam em maus lençóis, mas com chances de oferecer maior resistência.

Eduardo Munoa x Eider Cruz
Dois Irmãos, 2010


Maiores informações, resultados e muitas fotos:

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Semifinal do Campeonato Brasileiro Absoluto



Foi em São Paulo dessa vez a empreitada. Ainda não conhecia a cidade pessoalmente e acabei tendo uma surpresa muito boa. Viajei pensando que veria aquilo que nos mostram na televisão: congestionamento, estresse, helicópteros da polícia seguidos pelo Datena, nuvens de poluição, etc. Ou seja, uma cidade feia. Claro que fiquei restrito somente ao centro da cidade e que estávamos no meio de um feriadão e a cidade que vi não deve ser a mesma do dia-a-dia dos paulistanos, mas pelo menos pude perceber mais uma vez o quanto a televisão distorce os fatos e as imagens ao seu bel prazer. O que vi foram vias amplas e bem arborizadas, prédios e fachadas históricas, praças gigantescas que a vista não alcança onde termina e o mais incrível de tudo: a limpeza das ruas que causariam inveja a qualquer Porto Alegrense. Uma cidade onde eu moraria.

Do torneio fui sem saber muito o que esperar. Sabia que iria enfrentar jogadores muito fortes e desconhecidos pra mim - o que era uma desvantagem. Por outro lado eu devia ser o jogador mais desconhecido do torneio, já que raramente viajo para fora do RS para jogar e isso com certeza é vantajoso. Muito diferente do que é minha vida enxadrística em Porto Alegre. Gostaria de ter me preparado melhor na semana anterior ao torneio, no entanto a correria de faculdade, bolsa e as aulas de inglês que leciono, não me deixaram muita abertura para tal. O que eu pude fazer foi dar uma estudada breve nos meus adversários e verificar algumas linhas do meu repertório de aberturas (que não é muito brilhante, diga-se por passagem). O bom foi que fui para Sampa um dia antes do torneio e nesse dia então pude me concentrar e me preparar com mais calma.

O torneio, no geral, foi bom pra mim. Tirando os empates nas duas primeiras partidas que me fizeram começar perdendo bastante rating. No primeiro empate quase que não teve jogo. Joguei uma variante que há mais ou menos cem anos todos sabem que leva a empate e não deu outra. No segundo empate fiquei ganho após ter encaixado o b4, mas com muitos erros e muitos lances que muito bem mereceram interrogação tripla, acabei cedendo o empate. Uma pena.

Depois desse primeiro dia desastroso, tive que ter muita calma para que a lembrança dos resultados negativos não me afetassem psicologicamente. Na terceira partida peguei o jogador goiano Marceley e após ter saído com vantagem na abertura e contando com alguns erros do adversário, venci a partida num ataque de mate. Com dois em três já fiquei com mais ânimo e apesar que ainda estivesse perdendo rating, eu ainda continuava vivíssimo no torneio. Na quarta rodada peguei o classificado para final MF Bolivar (2286). Preparei bem abertura e acredito ter saído com vantagem, mas após o infeliz Te4 eu entro em complicações desnecessárias que dão vantagem pras negras. Nesse momento d6! ou Ca2 eram boas opções. No final pensei que eu poderia tirar algo da partida pelos peões passados em "d" e em "a", mas apurado no tempo, não percebi o leão f passado do meu adversário que derrubou o meu monarca.

Eider Cruz x MF Bolivar
Semifinal Brasileiro 2010


Na quinta e sexta rodadas vieram duas vitórias que me colocaram de volta no torneio. Na quinta contra o Ricardo Shutt (2143), numa siciliana muito estranha. Nunca tinha jogado contra 7. Df3, então tive que gastar bastante tempo na abertura, no entanto fiquei com uma boa posição e após um sacrifício equivocado do meu adversário, obtive uma posição vencedora, mas não sem susto, pela eminência do ataque na minha ala do rei com o a ameaça de g4. O bom é que ali eu tinha um Th8 na manga e fiquei tranquilo.

Na sexta partida veio a vitória que me valeu o torneio. O MF Aranha (2299) veio preparado pra enfrentar a mesma variante que joguei contra o MF Bolivar, desviando no quinto lance. Novamente tive que gastar bastante tempo na abertura em busca da melhor idéia e acabei achando, se não a melhor idéia, uma bem prática. Com e3-Ce2-Cc3-Bc4 e Td1 fiquei com uma posição muito segura e após algumas perdas de tempos do meu adversários (Th6-Tb6) venci a partida quase que naturalmente.

Logo após a sexta rodada pedi para tirar uma foto com a Bicampeã Brasileira 2009-2010 Vanessa Feliciano. O MF Aranha estava por perto e falou em tom de brincadeira, Não pode não, você acabou de vencer o mestre dela.

Vanessa Feliciano
MF Aranha à esquerda da foto.

Aproveitei também para tirar foto com o GM Fier e o MI Everaldo Matsuura.

GM Fier


MI Everaldo Matsuura

Depois da vitória na sexta rodada e do intervalo para as fotos, fui pra última rodada com chances muitos grandes, caso vencesse, de ficar entre os primeiros colocados do torneio. Teria sido uma façanha e tanto. No entanto, o MF Frederico Matsuura (2313) estava comandando as peças adversárias e venceu muito bem a partida, com sacrifício e tudo. O meu erro, novamente, foi não analisar a posição com objetividade, depois que senti a vantagem de espaço na ala do rei do meu adversário me preocupei excessivamente em me defender. No entanto, minhas peças estão bem articuladas no centro e eu conto com um cavalo bem colocado em d5, o bispo bem colocado na diagonal a8-h1. Ou seja, tudo pra oferecer uma boa resistência e inclusive pensar em colocar problemas para meu adversário. Mas não confiei no potencial da minha posição. O lance que inicia a derrocada é Te8. Ali já me preocupava em efetuar lances como Bf8 ou Cf8 pra segurar a ala do rei. Nesse momento um tranquilo Bb7 e Ta8, me conferiria bom jogo.

Com essa derrota fiquei apenas em 25º no torneio, empatado em pontos até o 15º, mas perdendo nos critérios de desempate. Foi uma boa experiência e foi um termômetro pra medir minhas possibilidades de agora em diante. Foi recém meu terceiro torneio FIDE e pude ganhar mais alguns pontinhos de rating.

Logo após o termino da última rodada, eu e o Rodrigo Borges fomos direto para o aeroporto pra aproveitar o ônibus que estava saindo rumo a Guarulhos e passamos a noite lá esperando o nosso voo. E depois de uma pizza sensacional e alguns pings cambaleantes acompanhados a cerveja, tivemos uma longa espera. Nessa espera já deu pra dar uma olhada nas partidas e analisar as besteiras que fizemos no aeroporto mesmo.


Guarulhos - novembro 2010


Links importantes

Emparceiramentos e resultados completos:

Visualizador com todas as partidas:



Nos próximos posts pretendo analisar algumas partidas jogadas na semifinal.
Abraço a todos!



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Circuito Pensado MXC - 4º lugar e Semifinal Brasileiro de Xadrez


Enfim, foram-se as três etapas classificatórias do circuito de Xadrez Pensado do Metrópole Xadrez Clube que classificaram 8 jogadores para jogar a Final no sistema de todos contra todos. O circuito contou com a participação de 38 jogadores, sendo que o campeão das três etapas foi Felipe Menna Barreto, com incríveis 13,5/15 e nenhuma derrota. Uma das partidas mais interessantes do circuito ocorreu na terceira rodada da última etapa, na qual Rodrigo Borges, o campeão do Torneio de Passo Fundo, conduziu as peças Brancas e o Campeoníssimo Felipe, as Pretas. A partida tem sua beleza garantida graças ao sacrifício de qualidade a la Petrossian, realizado pelo Felipe no 14º lance da batalha. Eis a partida:



Eu fiquei em 13º lugar na primeira etapa com duas derrotas doídas para Flávio Cardona e Karoly. Na segunda e terceira etapa eu fiquei em terceiro e em quarto respectivamente. Na classificação geral fiquei em 4º lugar, me classificando para final.

Informações completas:


Semifinal do Campeonato Brasileiro Absoluto de Xadrez

O circuito de xadrez pensado do MXC além de ter sido válido para movimentação do rating CBX dos participantes, serviu para apontar os dois representantes gaúchos para jogar a Semifinal do Campeonato Brasileiro em São Paulo. Como o Felipe Menna Barreto, o Vitor Hugo e o Flávio Cardona abriram mão de suas vagas, caberá a mim e ao Rodrigo Borges defender as cores do Rio Grande em terras Paulistas. Infelizmente a data da final do Circuito coincide com a data da semifinal, portanto, infelizmente não poderei jogar a final do circuito que ocorrerá nos dias 30 e 31 de outubro.

A minha participação na semifinal só foi viabilizada graças ao patrocínio mais do que bem vindo do Internet Xadrez Clube que há 10 anos investe no xadrez gaúcho e nacional. Fica aqui o meu agradecimento à toda equipe do IXC e em especial ao meu amigo Antônio Benevenga, idealizador do site.



Então é isso, nessa sexta-feira estou voando para São Paulo para nos dias 30-31-01 e 02 estar absorvida numa das principais competições do calendário do xadrez brasileiro. Até a volta!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estadual Universitário - 3° Lugar


O resultado novamente não foi o esperado, mas pelo menos dessa vez consegui jogar boas partidas. O torneio masculino contou com a presença de 7 jogadores: 3 da UFRGS, 2 da UPF, 1 da UCS e 1 da ULBRA. O sistema do torneio foi o todos contra todos, somente ida. O campeão pela segunda vez consecutiva foi o enxadrista da UPF Rodrigo Borges (2203) e em segundo o enxadrista da UCS André Gazzola. Minhas derrotas ocorreram exatamente para esse dois jogadores. No feminino a Campeã foi a enxadrista da UNISC Mitiele Majewski, seguida da enxadrista da UFRGS Kétina Timboni em segundo e Gabriela Rizzon também da UFRGS em terceiro.


André Gazzola x Eider Cruz



Nessa partida eu joguei numa posição restringida o tempo todo, sempre na ânsia de me libertar. Nesse momento em que a partida se dirigia ao seu final, cometi um erro crucial que me levou rapidamente à derrota. Muito graças a essa minha ansiedade pela liberdade e também ao tempo no relógio que começava a ficar escasso. O lance que joguei foi b5?? e após Cd6 as negras ficam com uma posição ainda mais desesperadora. No entanto, na posição acima mostrada, Cf6 parece ser uma possibilidade melhor para as negras.


Rodrigo Borges x Eider Cruz



Se eu vencesse essa partida, ficaríamos eu, Gazzola e Borges com os mesmo 5 pontos. Infelizmente não foi o que aconteceu. Apesar de nessa posição eu contar com boa vantagem, após 1. b3 Cb2 2. Ce4 Cxd1 3. Txd1 b4 4. g5. No entanto, as coisas não estão assim tão fáceis ainda e é necessário parar o contra-ataque branco na ala do rei. Acabei desarticulando minhas peças com lances tais como Cb6. Rodrigo Borges aproveitou muito bem a oportunidade e o ataque acabou por ser irresistível.

No final das contas a equipe da UFRGS se sagrou campeã mais uma vez por ter somado maior número de pontos e levamos o caneco pra casa.


Mais informações:

Xadrez Gaúcho

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

6º lugar - IV cultura Open

Com o atraso de algumas semanas, finalmente consegui me organizar para postar sobre mais um grande evento de xadrez promovido pela Livraria Cultura. O Torneio contou com a participação de 70 jogadores, dentre eles competidores deficientes visuais com os quais a ONG Vemos com as mãos desenvolve um trabalho espetacular. Esse trabalho foi apresentado aos enxadristas numa palestra oferecida para o público geral no auditório da Livraria Cultura.


A minha participação no torneio na minha avaliação foi mediana. Já na primeira rodada empatei com o enxadrista André Schwartz que eu até então não conhecia, mas que fui avisado antes da partida que era muito forte na época em que jogava torneios ativamente.

Eider Cruz x André Schwartz
Ao fundo, o campeão do Torneio Vitor Hugo Ferreira de pretas x Leonardo Pereira


Jogamos uma Holandesa muito interessante na qual eu me senti muito bem a maior parte do tempo por acreditar que minha vantagem em espaço na ala da dama logo me daria bons fruto. No entanto, acabei simplificando demais e entramos num final final bastante complicado. Num dado momento chegamos a seguinte posição:

Jogam as brancas.

Embora eu já tenha perdido bastante da vantagem que outrora acredito que tivesse, nessa posição ainda tinha grandes esperanças de sair com a vitória na partida. A manobra que executei a partir do Diagrama acima foi 1. Dd8+ Rg7 2. Dg5+ Dg6 3. Dxg6+ Rxg6 4. e4 b6 e as brancas ficam com um peão de vantagem que ao fim acabou não sendo suficiente para vitória, visto que o cavalo é uma peça muito ativa nesse final e o Rei negro está muito bem centralizado. Ainda tive que pelear inclusive para não perder a partida, devido a maioria negra de peões na ala da dama.

Depois desse empate, perdi contra o Eduardo Munoa e empatei numa partida conturbada contra o Karoly. Venci as outras 4 partidas, totalizando 5 pontos em 7 e terminando o torneio em sexto lugar. Para o xadrez que eu apresentei, está de bom tamanho.

Nas três primeiras posições ficaram, Vitor Hugo, Caio Eduardo e Eduardo Munoa. Os três com os mesmos seis pontos.

Maiores informações:



Minha próxima parada agora é nesse sábado dia 04/09 nos Jogos Universitários Gaúchos no qual eu vou ser um dos representantes da equipe da UFRGS no xadrez.

E, no próximo final de semana, a primeira etapa de mais um grande circuito organizado pelo Metrópole Xadrez Clube, dessa vez valendo rating CBX. Vamo que vamo!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

IV Cultura Open!


É com imensa satisfação que convido a todos para participar do IV cultura open. Um torneio que já faz parte da a agenda dos enxadristas gaúchos e tem a presença garantida da maioria dos jogadores mais fortes da região metropolitana de Porto Alegre. Isso devido ao ambiente para os jogos e o alto nível de organização do torneio, além de ser um lugar excelente para a difusão da prática do xadrez.

Eis o folder:

DATA: 14 de Agosto 2010
LOCAL: Livraria Cultura - Bourboun Country - Porto Alegre - Loja 302 Av. Túlio de Rose, 80
EMPARCEIRAMENTO: Sistema suíço de emparceiramento em 7 rodadas.
REFLEXÃO: 15min KO
CRITÉRIOS DE DESEMPATE: Milésimos medianos, Milésimos totais, Berger, Escore progressivo, Número de Vitórias
ARBITRAGEM: AR Marcelo Konrath

PREMIAÇÃO:
Campeão:        Troféu  + Vale-presente no valor de R$ 250,00
2º lugar: Troféu + Vale-presente no valor de R$ 200,00
3º lugar: Troféu + Vale-presente no valor de R$ 100,00
4º a 10 lugar: Camiseta + Medalha

Categorias:
Sub 12: 1º : Camiseta + Medalha, 2º: Medalha e 3º: Medalha
Sub 18: 1º : Camiseta + Medalha, 2º: Medalha e 3º: Medalha
Veteranos (>50 anos): 1º : Camiseta + Medalha, 2º: Medalha e 3º: Medalha
Feminino 1ª : Camiseta IXC + Anuidade IXC

Premiação não acumulativa.
2010-LogoIXC.JPGSorteio de Brindes:
- Anuidades do IXC - www.ixc.com.br
- Livros de Xadrez
- Camisetas do evento

INSCRIÇÕES:
  • a partir do dia 07.08.2010

  • no e-mail: eventos.xadrez@gmail.com
  • limitadas a 70 enxadristas (após as 70 primeiras inscrições, será aberta uma lista de espera)
  • trazer 2 kg de alimentos não perecíveis por participante para doação à entidades carentes

Informações necessárias para inscrição:
• Nome completo
• Data Nascimento
• Cidade
• Telefone
• Email
• Rating CBX / FIDE (se houver)

RelogioXadrez.jpgMATERIAL OBRIGATÓRIO!

Os enxadristas deverão trazer peças e relógio de Xadrez.


PROGRAMAÇÃO:
14 de Agosto - A Livraria Cultura abre suas portas às 10h da manhã
Início da confirmação das inscrições - 13h
1a rodada - 14h
2a rodada - 14h40
3a rodada - 15h20
4a rodada - 16h00
5a rodada - 16h40
6a rodada - 17h20
7a rodada - 18h00
Sorteios de brindes - 19h
Premiação e encerramento - 19h20

Exposição de Xadrez Gigante na frente da Livraria Cultura, local do Torneio.
Peças gigantes de xadrez feitas pela técnica de Papietagem com material reciclável.
ONG Embrião de Alvorada.

MAIORES INFORMAÇÕES:

PATROCÍNIO:
2010-LogosEditorass.JPG
APOIO e ORGANIZAÇÃO: Livraria Cultura :: Internet Xadrez Clube
2010-LogosApoios.JPG

quinta-feira, 11 de março de 2010

GM Andrés Rodrigues x Eider Cruz - Festa da Uva

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Enfrentar um Grande Mestre é sempre uma experiência que fica guardada na memória. Saber que o oponente possui o título mais alto do xadrez mundial e que muito provavelmente estará enxergando sempre um lance a sua frente, nos gera ao mesmo tempo um certo temor e orgulho por ter a oportunidade de enfrentar semelhante titã do xadrez internacional.

Com esses pensamentos um tanto turbulentos foi que iniciei minha partida contra o Andrés Rodrigues. Sabia que minhas possibilidades de obter um resultado positivo não eram muito grandes, embora, claro, eu sonhasse com uma vitória espetacular. Durante a partida eu fiquei somente esperando de que lado viria o golpe que me levaria a Knockout. No meu delírio, cheguei a imaginar até mesmo um golpe mortal que meu adversário pudesse realizar a qualquer momento com Cxf5 e colocar meu rei imediatamente em apuros. Mas eram só delírios, o GM Rodrigues escolheu caminhos muito mais seguros do que um sacríficio que poderia até mesmo colocá-lo em situação de risco.

Minhas possibilidades na partida eram muito boas, embora em cima do tabuleiro eu não as enxergasse muito bem, até porque eu imaginava que Rodrigues dominava por completo os fundamentos da posição e que, como já foi dito, estava sempre enxergando um lance na minha frente. Meus lances h5 e c5 foram jogados, acredito, mais em razão dessas considerações do que quaisquer outras. Ficou claro que esses lances tinham por objetivo mais atrapalhar os planos do meu adversário do que explorar os pontos fracos de sua posição, ativando melhor minhas próprias peças. Minha preocupação era de que as peças dele não jogassem e não de colocar as minhas peças em jogo. Triste conclusão que cheguei depois de refletir bastante sobre a partida: entrei no jogo perdido tanto tecnicamente quanto psicologicamente.

De um modo geral foi um bom jogo e certamente foi uma experiência importante rumo ao meu modesto aperfeiçoamento enxadrístico. Fiquem a vontade para fazer comentários, críticas e sugestões sobre minha partida e minhas análises. Bom jogo.

1.e4 c6 Aqui já tive que tomar minha primeira decisão. Siciliana ou Caro-Kann. Escolhi a segunda opção por ser mais sólida. 2.d4 d5 Fico sempre apreensivo para saber qual é o próximo lance que as brancas vão escolher. Existem muitas opções 3. exd5, 3. e5, 3. Cc3, 3. f3 ... e cada uma dessas opções leva para um tipo diferente de luta. 3.Cd2 dxe4 4.Cxe4 Bf5 5.Cg3 Bg6 6.Bc4 Sou mais acostumado a enfrentar 6. h4 h6 7. h5 Bh7 8. Bd3. O GM Rodrigues já começa a me levar por um caminho ao qual não tenho muita experiência.

6...Cf6 7.C1e2 e6 8.0–0 Be7 O bispo ficaria melhor colocado em d6. 9.f4 É o lance mais agressivo à disposição das brancas. Ameaça imediatamente jogar f5 e abrir linhas para o ataque branco. Para as negras é mistér evitar esse lance a qualquer custo. Aqui pensei em já jogar Bf5 para que depois da tomada Cxf5 eu tenha um ponto de apoio em e4, além de manter o peão em f4 restringingo o bispo das casas pretas das brancas. No entanto, consultando o banco de dados da minha memória me lembrei de um lance que se adequa muito melhor à posição.

9...Qd7 Apesar desse lance dificultar o desenvolvimento do cavalo por vias normais (lê-se em direção ao centro) é necessário, pois coloca mais uma peça de olho no importante ponto estratégico que é a casa f5. 10.Bd3 As brancas continuam seu plano de jogar f5, colocando mais pressão sobre essa casa.


10...Bf5
Um lance estranho, porém justificável psicologicamente e estrategicamente. Jogar 10. ... Bxd3 é praticamente entregar f5 numa bandeja para meu adversário, o que permitiria a ativação de suas peças e, acredite, um GM com peças ativas do outro lado do tabuleiro era o que eu menos queria nesse momento. Embora, após 11. Dxd3 c5 as negras tenham uma posição cômoda e podem desenvolver seu cavalo via c6. Por exemplo, 12. f5 Cc6 com forte pressão central. Com 10. ... Bf5 procurei evitar de vez o lance f5 e, ao mesmo tempo que controlar a coluna "e", ter um ponto forte para minhas peças em e4. O lado negativo desse lance é que ele cede o par de bispos e cria uma debilidade na minha estrutura de peões.

11.Cxf5 exf5 12.c4 0–0 13.b3 Visto que a diagonal c1–h6 está fechada, o bispo vai a procura de outra diagonal que lhe seja mais conveniente. 13...Te8 A torre instintivamente procura a coluna e dá de cara com um bispo bem em sua frente perturbando a sua atividade. Um reflexo do meu erro no oitavo lance. 14.Bb2 Estranhei a casa indefesa que fica em "e3" após o deslocamento do bispo. A coluna "e" parece que vai servir para meus interesses mesmo, e se a debilidade da casa e3 e o bom posto de e4 também estiverem do meu lado, então estarei definitivamente com uma boa posição. Mas vai me convencer disso em cima do tabuleiro! Sempre tive a impressão de que o GM Rodrigues estava seguindo um caminho preestabelecido e que via sempre um lance a minha frente.

14...Ca6
O cavalo se desenvolve por a6-c7 para evitar um futuro d5. 15.Cg3 g6 16.Df3 Já que f5 não foi possível, agora as brancas convergem sua atenção para d5. 16...Cb4 Fiz esse lance com o intuito de descoordenar un poquito as peças de meu forte adversário. Além disso, depois de 17. Bb1 as brancas terão que gastar mais dois tempos com a3 para expulsar meu cavalo e com a retirado do bispo da primeira fileira para novamente conectar as torres. Somando eu ganho um tempo. 17.Bb1 Bf8 Meu bispo sai da incomoda casa e7 para dar passagem à atividade da torre e procura uma diagonal em que será mais útil.
18.a3 Ca6 19.d5 Dessa vez a ruptura não pode ser evitada. 19. d5 chegou para levar a partida para seu estágio final.

19...Bg7 20.dxc6 Dxc6 21.Dxc6 bxc6 22.Bc2 Depois dessa variante forçada, chegamos à uma posição crítica. Um simples erro de avaliação dos componentes estratégicos envolvidos na luta a partir daqui pode levar ao fracasso. E acredito que tenha sido isso o que me sucedeu. Avaliei erroneamente os elementos da luta e acabei por ser derrotado.


Tentarei agora explicar como avaliei essa posição: a primeira vantagem do branco que salta aos olhos é a maioria móvel de peões na ala da dama. A maioria do negro na ala do rei não é tão perigosa dado à debilidade crônica de sua cadeia. A segunda vantagem do branco que eu via é a do par de bispos. Temia o avanço dos peões da ala da dama sustentados por essas duas navalhas e estava certo que minha derrota viria desse avanço sistemático e que, portanto, deveria de todas as formas impedi-lo. O que não me passou pela cabeça foi que ainda há muitas peças no tabuleiro (apenas a dama e uma das peças menores foram trocadas) e que assim a posição não era típica de um final, mas sim, de um meio jogo. Percebendo isso, os aspectos levantados anteriormente perdem muito de seu valor, pois o que mais vale no meio jogo é a coordenação e atividade das peças. Vendo por esse lado, o cavalo e o bispo branco estão em posições não muito boas, enquanto a única peça realmente ativa que possuem pode ser logo trocada com 22. Cg4 (sem contar que esse lance ameaça a invasão do cavalo por e3). Já o cavalo de a6 negro, na borda do tabuleiro, pode facilmente entrar ativamente na batalha por c5. Uma pena que eu não tenha tido a capacidade técnica de ver a posição dessa maneira. No entanto, penso que mesmo assim o meu adversário Grande Mestre encontraria outra forma de me derrotar (ou mesmo eu cometeria outro tipo de erro), mas certamente a partida entraria num caminho muito mais interessante.

22...h5
Um lance fraco, mas que ainda mantém as pretas com vantagem. Teria sido melhor Cg4. O lance do texto tem a idéia de cutucar o cavalo que vigia as importantes casas e4 e e2 e ameaçar a entrada na sétima de minha torre. 23.Tfe1 Um lance simples e bom! A medida que se trocam as peças pesadas, aqueles aspectos do final anteriormente abordados passam a aumentar de valor.

23...c5?! Esse sim é o primeiro erro grave, pois tira a casa pela qual o cavalo de a6 poderia entrar de forma mais ativa no jogo. Melhor era 23. ... h4 seguido de 24. ... Cc5 com excelentes perspectivas de jogo dos cavalos pretos por e4 ou, ainda talvez mais forte, por e6, colocando pressão no peão de f4. 23. ... c5 era desnecessário também porque o peão em c6 controla d5 e b5 de forma eficiente. Joguei esse lance temendo 24. b4 que iniciaria o avanço dos peões brancos, seguido de Ba4, que colocaria pressão sobre o fraco peão em c6. Como se percebe, pensei apenas na atividade das peças do meu adversário e não na atividade das minhas próprias.

24.Tad1 Txe1+
Trocando as peças pesadas eu dou uma ajuda para os planos do meu adversário. Era melhor 24. ... Cc7 que depois de 25. b4 Ce6 as negras não teriam nada a temer devido a boa coordenação de suas peças. 25.Txe1 Te8? E esse é outro erro grave. Trocando a última torre restante, todas as vantagens no final que as brancas possuem, embora não esteja ainda tão fácil de converter, acabam por se tornar decisivas. Ainda era preferível 25. ... Cc7. 26.Txe8+ Cxe8 27.Bxg7 Rxg7 28.Ce2 Cd6 29.Rf2 Cc7 30.Bd3 a5 31.Cc3 Veja como d5 e b5 podem ser facilmente exploradas pelas brancas.

31...Rf6 A partida seguiu mais uns 15 lances, mas nesse momento eu entrei nos cinco minutos e parei de anotar. O que posso dizer é que aconteceu o lógico, as brancas com muito técnica criaram um peão passado na ala da dama e venceram. 1–0

segunda-feira, 8 de março de 2010

Torneio da festa da uva - deu a lógica.


O torneio da Festa da uva consegue se superar a cada edição. Dessa vez promoveu o mais forte torneio dos últimos tempos no Brasil, com a presença de 290 enxadristas de diversas partes do Brasil e do mundo. Além do mais, pude comprovar que Ivanchuk é de carne osso, e não apenas uma inesgotável fonte de idéias para o xadrez. Ivanchuk mais parececia uma miragem no meio de tanta gente. Quando ele chegou no local dos jogos no início do torneio, todos o olhavam com assombro e espanto, estava ali diante de todos uma lenda viva, alguém que possui o ponto alto da mestria no xadrez, mas depois de um tempo foi até possível esbarrar com esse ser até a pouco intocável no banheiro ou no restaurante, por exemplo.


Ivanchuk ao chegar no local dos jogos


Num momento apropriado, aproveitei para pedir para tirar uma foto com ele. Arranhei um desnecessário inglês, porque ele muito bem entende o português, e ele consentiu com a cabeça. Depois que o Rubens Castro tirou a foto, agradeci e ele novamente acenou com a cabeça. Acho que não ouvi nenhuma palavra de Ivanchuk, a não ser na entrevista que ele concedeu para a televisão antes do evento e na sua derrota contra Milos, quando ele pronunciou algumas palavras que eu de longe não pude ouvir, mas percebi seus gestos bruscos e suas expressões faciais pra lá de esquisitas.

Eis a foto histórica que tirei com o Ivanchuk:


No final acabou dando a lógica. O Ucraniano venceu o torneio com 8 pontos, apesar de ter tomado um susto com sua derrota contra o Gigante Milos, seguido do invicto Sandro Mareco também com 8. A minha espectativa era de que ele fizesse 9 em 9, ou no máximo cedesse meio ponto a um dos seus fortes adversários. Mas Gilberto Milos, seis vezes campeão brasileiro, surpreendeu a todos, derrotando-o consistentemente e recebendo os aplausos do público ali presente. Até mesmo eu, que estava concentrado na minha partida contra o GM Andrés Rodrigues, mas acompanhando sempre a partida da primeira mesa pelo telão, não resisti e também aplaudi.



Foi uma grande experiência ter visto tantos Grandes Mestres juntos em ação. Pessoas que dedicam sua vida à arte do xadrez e que têm uma extraordinária compreensão das 64 casas do tabuleiro e das nuanças do xadrez competitivo de alto nível. Ninguém estava ali para perder, a derrota era a última opção. A auto-confiança daqueles Grandes Mestres e Mestres Internacionais que disputavam o título era aparente no olhar que lançavam para o tabuleiro. Realmente foi muito produtiva a experiência de ver tantos jogadores consagradamente fortes se enfrentando.

Não posso deixar de falar também do ídolo da minha infância enxadrística, Mequinho. Lembro que logo que comecei a jogar xadrez na sogipa, a professora que me ensinou a mexer as peça, que era sócia-atleta do clube, tirou um livro da biblioteca para mim, que se não me engano se tratava do primeiro campeonato brasileiro conquistado por Mequinho quando tinha apenas 13 anos. Me causou forte impressão suas partidas, principalmente a penúltima partida em que Olicio Gadia oferece empate para Mequinho e o guri na mesma hora sugere que o mestre abandone para logo depois demostrar como venceria a partida. Detalhe que Mequinho precisava só do empate pra ser campeão antecipado. Estava ali quem eu queria ser quando crescesse. Agora que cresci pude ter o prazer novamente de vê-lo jogar ao vivo e tirar uma foto ao lado dele.



Para finalizar fico com as palavras de Marcelo Diaz que arrancaram um farto sorriso de Vassily Ivanchuk: "Obrigado por ter vindo, é um sonho para nós".

Nos próximos dias volto com a análise de algumas partidas minhas, em especial a contra o GM Andrés Rodrigues em que pude jogar bem e entrar num final bonito no qual cometi alguns erros que Andrés estava esperando e, claro, perdi a partida.

Abraço a todos e até a próxima aventura!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Super Heróis - Raul Seixas

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Um Raulzito pra relaxar antes do torneio da festa da uva:

Quem é que no Brasil não reconhece o grande
trunfo do xadrez
Saí pela tangente disfarçando uma possível
estupidez
Corri para um cantinho pra dali sacar o lance de
mansinho
(adivinha quem era? Mequinho!)