quinta-feira, 2 de junho de 2011

Seja bem-vindo, Chico.

Acredito que antes de se tornar mestre nos tabuleiros, um jogador deve se tornar mestre na vida. Uma conquista suada não é nada sozinha, ela vem sempre relacionada com a nossa visão de mundo a qual determina as nossas reações ao encarar a euforia das vitórias e principalmente os momentos escuros das inevitáveis derrotas. Enquanto nos tabuleiros a nossa maestria vai se configurando a cada partida jogada, a cada hora de estudo e dedicação e nas experiências compartilhadas com outros enxadristas; a maestria na vida vem, na minha opinião, principalmente da contínua convivência com as pessoas que são partes imprescindíveis do nosso dia a dia e que nos ensinam que a verdadeira maestria consiste em não deixar nunca de aprender.

Nessa minha caminhada, nasceu meu primeiro sobrinho Francisco, segunda-feira dia 30/05 (um dia antes do dia do enxadrista!), filho do meu irmão mais velho Jáder e da minha cunhada Marina. Como esse é um fato que mexe com todas as áreas da minha vida, eu não podia deixar de expressar aqui a importância e a felicidade desse momento.




quinta-feira, 26 de maio de 2011

Exercício V

Esse final surgiu na partida decisiva das Olímpiadas Comerciárias do ano passado entre meu aluno Guilherme Moraes de São Borja e Tiago Braz de Santana do Livramento. Tudo se encaminhava para o empate que faria de Tiago o campeão do torneio, pois estava com 100% de aproveitamento e seu adversário tinha empatado uma das partidas anteriores. No entanto, nessa posição Tiago jogou a5 com a intenção de colocar em marcha seu peão passado distante e, a partir de então, a partida tomou rumos inesperados.


Tiago Braz x Guilherme Moraes
Porto Alegre, 2010


Qual é o problema de 1. a5? Com qual idéia você acha que o branco deveria continuar a partida?
Deixe sua resposta nos comentários.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

V Cultura Open – Parte II – O Torneio

Resolvi fazer o primeiro post sobre o match dos campeões porque esse era de fato o mais surpreendente e inovador aspecto dessa V edição. A qualidade do ambiente, da organização e da arbitragem do torneio da Livraria Cultura já não é mais nenhuma novidade. Aliás, essas louváveis características estão sendo uma constante em todos os torneios que tenho jogado ultimamente. O jogo de cavalheiros tem realmente sido de cavalheiros e não vejo mais discussões intermináveis no congresso técnico como eu, quando piá, era acostumado a acompanhar em quase todos os torneios que participava sem entender nada. Os problemas (inevitáveis) que surgem, os árbitros estão conseguindo resolver sem maiores problemas. Méritos do Leonardo Pereira, do Marcelo Konrath e do Orguim, árbitros que mais trabalham - pelo menos na região metropolitana.



O destaque na minha opinião foi o vice-campeão André Gazola que vem despontando sempre nas primeiras colocações e vem jogando um xadrez muito bem trabalhado. Uma pena que eu não pude acompanhar os jogos decisivos – gostaria muito de ter visto o desenrolar da partida do Gazola contra o Guilherme Genro e do Felipe contra o Munoa que devem ter sido embates muito duros.


André Gazola x Guilherme Genro

Felipe Menna Barreto x Eduardo Munoa

Outro fator positivo que eu gostaria de apontar é que eu tenho a impressão de que o nível técnico dos torneios tem aumentado. Muitos jogadores vêm surpreendendo, como é o caso do Dayan que surrou impiedosamente a mim nesse torneio e ao Munoa em Novo Hamburgo (em breve post sobre esse evento). Em um torneio com Felipe Menna Barreto, Eduardo Munoa, André Gazola, Guilherme Genro, Rodrigo Bruscato, André Shwartz, Dayan, é preciso suar muito a camiseta pra se destacar. Esse quadro ficaria ainda mais bonito se outros jogadores, conhecidos pelas suas forças, saíssem de suas tocas e jogassem os torneios que estão cada vez mais frequentes.

Meu desempenho no torneio foi prejudicado por duas derrotas que me deixaram longe da luta pelas primeiras colocações. A primeira derrota foi contra o Guilherme Genro que me acertou novamente um tático desconcertante. Cometi dois erros gravíssimos em sequência, depois de ter saído muito bem da abertura e levado com tranquilidade meus planos até os desastrosos Bxf6 (não vi que retomava de dama) e Bh3. Essa foi a partida que me causou a impressão mais forte dentre todas as do torneio, por essa razão deixo ela reproduzida logo abaixo:

Contra o Dayan eu fui dominado do início ao fim. Depois do sacrifício de peça em b5 de meu adversário, eu deveria ter jogado Dc6, ao invés de Db8, mantendo o cavalo protegido e então cairia o peão de “a” branco, dessa forma minhas chances aumentariam consideravelmente. Com Db8 eu entro já num final muito difícil pra mim – ainda tentei abrir a posição do rei do meu adversário para tentar explorar a exposição do seu monarca, mas Cb3 segura tudo e o Dayan conduziu com segurança a partida até a vitória.


Mais uma vez parabenizo os organizadores do evento, em especial o Leonardo Terra que trabalha muito para que o Cultura Open seja sempre esse sucesso.

Mais informações e fotos:

Xadrez Gaúcho

Blog do IXC

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Eider Cruz x Rafael Santos - I Cultura Open

Cultura Open III, IV



segunda-feira, 23 de maio de 2011

V Cultura Open - Parte I - Match dos campeões!


Permitam-me começar pelo final. Dessa vez o já clássico Torneio da Livraria Cultura nos brindou com um gran finale espetacular. O campeão do Torneio da Livraria de Porto Alegre, Felipe Menna Barreto (2193), jogou ao final um match de 3 partidas pelo site do IXC com o campeão do Torneio da Livraria de Brasília, Victor Shumyatsky (2417), já que os dois eventos ocorreram simultaneamente. Não tenho conhecimento de disputa semelhante a essa no xadrez brasileiro - deve ser a primeira vez que esse tipo de embate acontece.


Felipe Menna Barreto teve a árdua tarefa de enfrentar uma das maiores revelações do xadrez Brasileiro (provável futuro GM) nos últimos tempos. Jogador que na final do Campeonato Brasileiro ano passado havia vencido consistentemente ninguém mais do que Rafael Leitão (2622). Link para a partida. Shumyatsky tem apenas 14 anos, mas já vem mostrando a algum tempo um jogo muito maduro.



Durante as três partidas, houve um silêncio geral no auditório, algo muito raro em se tratando de partidas blitz. Não se ouviu nada durante aqueles minutos, a não ser o movimento das peças no visualizador e alguns perus se contorcendo nas cadeiras, principalmente, diga-se por passagem, quando Felipe estava prestes a levar mate em um na terceira partida. Mostro aqui as três partidas jogadas e tomei a liberdade de dar uma rápida analisada na terceira partida que na minha opinião foi a mais bonita e a mais emocionante. Vale ressaltar que as partidas são de xadrez rápido 3x3 e que nesse caso os erros de ambos os lados podem aparecer de forma mais frequente do que no normal, portanto fica bem claro que eu não faço nenhum juízo de valor aos jogadores pelas escolhas de seus lances.

1ª partida



2ª partida Nessa, adaptando a giria do futebol, o Felipe não viu nem a cor das peças.



3ª Partida

1. Cf3 Cf6 2. d4 g6 3. c4 Bg7 4. Cc3 O-O 5. Bf4 d6 Teria sido interessante as linhas agudas da Grunfeld que se originam a partir de 5. ...d5 6. e3 Cfd7 Tenho no meu banco de partidas 31 jogos com essa posição. Entre elas uma partida em que o próprio Felipe jogou em Vila Martelli em 2008 também com as brancas contra a WMF brasileira Paula Delai (2030). Essa partida o Felipe venceu.

7. h3 e5 8. Bh2 Re8 9. Be2 c6 10. O-O Ca6 11. Dc2 De7 12. a3 Cc7 13. Tad1 b6 14. Tfe1 Bb7 15. dxe5 Cxe5 16. Cxe5 dxe5 17. Bf3 Tad8 Dá a chance do branco explorar a descordenada cadeia de peões pretos. Melhor é 17. Ce6, mantendo as chances iguais. 18. Rxd8 Mas as brancas por sua vez perdem a oportunidade. 18. Da4 ganharia pelo menos um peão, sem nenhuma compensação para as pretas.

18. ...Txd8 19. Td1 Ce6 20. Ce4 Txd1+ 21. Dxd1 c5 22. Cc3

22. ... Bxf3 Dessa forma as pretas cedem deliberadamente a importante diagonal h1-d8 e com ela o conjunto de casas brancas do centro. Era preferível 22. ... e4 com as seguintes possíveis variantes: 23. Cxe4 Bxb2 ou 23. Bxe4 Bxe4 24. Cxe4 Bxb2 23. Dxf3 h6 24. Da8+ Rh7 25. Cd5 25. Cb5 colocava problemas imediatos na posição negra. 25. ...Dd7 26. Rf1 Esse lance é bastante ruim. Típico de partidas nesse ritmo. 26... e4 No entanto, as Shumyatsky não aproveita. Com 26. ... Da4 teria destruído rapidamente tudo o que o branco havia conquistado na abertura. 27. b3 Como o Felipe não é bobo, bloqueia sem pensar duas vezes o acesso da dama ao coração de sua posição.

27... h5 Era necessário a manobra Cd8-c6. 28. Bb8 Cd8 29. Dxa7 Df5 30. Bg3 Ce6 31. Db6 g5 As brancas estão com clara vantagem, mas... 32. h4 Permitem novamente que a dama negra tenha acesso ao coração de sua posição. 32. ... Dg4 33. Da5 Por um momento pareceu que o Felipe tomaria esse mate. 33. ... gxh4 34.Bf4 Dd1+ 35. De1 Dxb3 36. Dc1 Dd3+ 37. Rg1 h3 Victor abre a posição do rei adversário para explorar as fracas casas brancas em sua redondeza - uma bela estratégia para fazer seu adversário buscar por lances defensivos com pouco tempo no relógio. 38. gxh3 Bh6 39. Bxh6 Rxh6 40. a4

Cg5 41. Rg2 De2 42. Cf4 Df3+ 43. Rg1 Cxh3+ 44. Cxh3 Dxh3 45. a5 Dd7 46. a6 Da4 47. Db1 Dxa6 48. Dxe4 Dg6+ 49. Dxg6+ Rxg6 Um final muito instrutivo aparece sobre o tabuleiro.

50. Rg2 Rf5

Jogam as brancas e empatam.

51. Rg3 Aqui o Felipe deixa escapar a sua última chance de empatar a partida. Se 51. Rg3 perde, qual seria então o melhor lance? deixe sua idéia e seu lance nos comentários. 51. ... Re4 52. Rh4 Rf3 53. Rxh5 Rxf2 54. e4 Re3 55. e5 Re4 56. e6 fxe6 57. Rg5 Rd4 58. Rf6 Rxc4 59. Rxe6 Rb3 0-1


sábado, 7 de maio de 2011

Circuito Gaúcho de Xadrez Rápido - Dois Irmãos

Sempre achei chata essa história de postar sobre um torneio com o atraso de uma semana (às vezes até mais), no entanto dessa vez foi muito boa essa demora, pois aproveitei para refletir melhor sobre o muito que tem se falado por aí a respeito dos rumos do Xadrez Gaúcho. Parece que mais uma vez a cisão toma o lugar da união e o xadrez se divide em dois lados que permanecem antagônicos. A FGX não reconhece o MXC porque não é um clube filiado à entidade - o MXC não reconhece a FGX pois cresceu em importância como alternativa para os enxadristas, além de a FGX não ser uma entidade reconhecida pela CBX... e por aí vai. Não tenho conhecimento dos pormenores da questão, mas sei que nessa história de mocinhos e vilões a única vítima é o xadrez.

O torneio em Dois Irmãos se realizou coincidentemente no mesmo fim de semana do torneio do MXC. A primeira vista sem razão que explicasse tal atitude, já que o calendário do Xadrez Gaúcho está com muitas datas disponíveis e o MXC tem as datas das etapas de seu Circuito a muito tempo divulgadas. Como isso me perturbava muito (não só a mim acredito, mas a todos os enxadristas - já que há carência em torneios seria terrível dois realizados na mesma data) fui então conversar a respeito com o Presidente da FGX Maikon Diel. Ele me respondeu que teve que remanejar diversas vezes a data e no final não teve outra saída a não ser escolher o dia 31 de maio para I etapa do circuito gaúcho de xadrez rápido, pois o evento contava com o apoio da Prefeitura de Dois Irmãos e nesse fim de semana estaria acontecendo diversos eventos na cidade em razão do dia do trabalho. Essa explicação, que nesse caso na minha opinião é necessária, não foi dada publicamente pela FGX, nem mesmo quando indagada pelo enxadrista Iuri Pasini no grupo Xadrez Gaúcho do yahoo.

É inegável o excelente trabalho realizado no MXC e a FGX mostra que tem plenas condições de retomar a posição perdida pela péssima gestão anterior e reconquistar a confiança dos enxadristas. O negócio agora para ambas as partes é continuar trabalhando, se não juntos, pelo menos unidos pelo melhor do xadrez. De minha parte continuarei coloborando no que está ao meu alcance - jogando os torneios e divulgando o nosso nobre esporte-arte.

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Agora falando do torneio. Não conhecia o enxadrista paulista Marcelo Burgos 2193 FIDE, campeão do torneio. Infelizmente não tive a oportunidade de jogar contra ele, mas pareceu ter um jogo muito consistente, empatando com um dos melhores enxadristas gaúchos Eduardo Munoa. No torneio fui surpreendido por um guri sub-14 de Vacaria, Dimitri Boeira, contra o qual tive que suar pra empatar depois de eu ter saído um pouco mal da abertura. Joguei também contra o Antônio Costa Curta que está a cada torneio jogando melhor, se ele tiver uma boa orientação técnica e dedicação ainda pode ir muito longe. Costa Curta jogou uma índia do Rei, mas não conseguiu levar adiante o ataque na ala do rei e eu após aliviar um pouco a tensão, pude levar adiante o ataque na ala da dama e vencer a partida.


Da esquerda para a direita:
Leonel Dorneles, Elisandro Pimenta, Antônio Costa Curta e Alencar Santos

Empatei novamente com Eduardo Munoa numa partida intrigante para mim O Munoa jogou uma Holandesa e acredito que com uma idéia bastante equivocada. Eu não consegui aproveitar as oportunidades e acabei entrando num meio jogo inferior, mas consegui segurar a posição.



Terminei o torneio em 5º lugar com 5 pontos, empatado de 2º a 7º com 6 enxadristas. Uma grande falha dos organizadores foi a não divulgação do CrossTable do torneio - fiquei frustado quando fui procurar. Todos sabem que é sempre de fundamental importância essa divulgação e não é nem preciso explicar por quê.

Informações sobre o torneio e fotos: Site da FGX


É isso aí pessoal. Sintam-se à vontade para comentar, criticar ou dar alguma sugestão.

Abraços e até o V Cultura Open dia 21!



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Exercício IV

A posição abaixo ocorreu em uma linha de análise da partida jogada entre Marcio Bidigarai e Iuri Pasine na II etapa do circuito Oncosino de Xadrez realizado pelo Métropole Xadrez Clube. Ela é interessante no sentido em que nos faz pensar o quanto é tênue a linha entre o sucesso e o fracasso numa partida de xadrez, principalmente em torneios competitivos como esse no qual a pressão do tempo e a tensão da partida têm influência fundamental nas escolhas dos lances decisivos de cada jogador.

Márcio Bidigarai x Iuri Pasini
Metrópole Xadrez Clube, 2010

Já utilizei essa posição em duas aulas diferentes e foram muito produtivas. Jogam as brancas - a proposta é que o leitor interessado deixe suas idéias nos comentários, não necessariamente variantes, embora o ideal seja que a idéia venha acompanhada de uma possível variante que a coloque em teste.

Exercícios I, II, III

domingo, 10 de abril de 2011

II Torneio Aberto DC Shopping


O que mais me agrada nos torneios de xadrez é o ambiente dos jogos. Chegar cedo, tomar um café, compartilhar algumas experiências, dar risadas. E foi assim que o torneio do DC iniciou para mim, pro Guilherme Genro, André Gazola e Alberto Baségio. A partir disso, não importa se eu pendurar uma peça ou se o meu rei for sumariamente executado por um adversário impiedoso - o dia já foi ganho.

O torneio foi organizado com a qualidade de sempre - respeito aos horários, um bom espaço, emparceiramentos no telão, etc. O campeão foi o MF Luiz Ney Menna Barreto com 6 pontos, seguido de André Gazola também com 6. Os dois terminaram invictos a competição com 5 vitórias e 2 empates. Com 5,5 pontos ficaram Mário Fabris, Eduardo Munoa, Felipe Menna Barreto e Eider Cruz (de 3º a 6º nessa ordem).

Na segunda rodada enfrentei o amigo de longa data Rodolfo Perondi e abaixo está a nossa partida. Rodolfo tem um estilo muito ativo, sempre buscando a iniciativa - já tínhamos jogado o Gambito Morra no II Cultura Open. Naquela ocasião eu aceitei o gambito, contive os ímpetos do adversário e venci um final com 2 torres contra dama. Mas dessa vez resolvi evitar as complicações e jogar uma linha mais posicional.


Saí bem da abertura, mas então cometi alguns erros que parecem detalhes, no entanto são bem graves. Como por exemplo 12. ... Bd7 que limita de sobremaneira a liberdade de manobra das minhas peças menores - o correto é 12. ... Cd7 com bom jogo. Além disso depois de 23. ... Bxd5 e 24. ... Rh8, as negras se colocam deliberadamente em uma posição desesperadora. Perondi não perdoou esses erros e com jogo bastante lógico arrematou a partida com precisão.


Depois disso venci finalmente o Guilherme Genro - um velho fantasma do I Torneio do DC Shopping. E na quinta rodada venci o forte enxadrista Dayan - fantasma do Torneio Natalino do Metrópole ano passado. A partida contra o Dayan foi muito interessante - desde a abertura até o arremate final. Consegui reproduzir a partida em casa e deixo logo abaixo a belezura. Claro que 40. Cd2 é um erro, mas mesmo assim 40. Rc2 Bf4 41. Rd3 Th3+ 42. Rc2 Te3 e as brancas terão que entregar o cavalo pra não perder a torre.


Na sexta rodada joguei com Alexandro Bordignon - não o conhecia ainda e pude perceber que é um jogador com um bom potencial para lutar pelas primeiras posições no torneio. Nossa partida ele escolheu um plano de abertura equivocado com Cb3-d4, tentando a qualquer custo explorar a diagonal h1-a8, mas como suas peças não estavam devidamente desenvolvidas eu pude tomar a iniciativa com um jogo ativo de peças.


Na última rodada joguei de pretas com o campeão da I etapa do Circuito Oncosinos de Xadrez Clássico, André Gazola. Joguei uma Karo-Cann, mas me arrependi um pouco na verdade. Porque para o Gazola o empate estava de bom tamanho. Eu esperava algum plano mais ativo da parte dele e não foi o que aconteceu. Uma posição de empate apareceu muito rapidamente sobre o tabuleiro e não teve outra.

Agradeço muito aos organizadores e aos amigos por mais um sábado enxadrístico muito prazeroso.

Resultados Completos e fotos: Xadrez Gaúcho

Abraços!


X Torneio Internacional Cidade de Porto Alegre


Prometi escrever sobre o torneio do mercado, mas não tive tempo algum para poder fazê-lo nas últimas semanas. Aproveito agora esse final de tarde de domingo para fazer uma das coisas que me dá mais prazer: escrever nesse blog.

O torneio do mercado foi o melhor torneio dos últimos tempos em Porto Alegre na minha humilde opinião. Contou com a participação de 96 enxadristas vindo de diversas regiões do RS e de além fronteira. O campeão foi Eduardo Munoa, empatado com mais 5 enxadristas com 6 pontos, mas vencendo nos critérios de desempate. Mais uma vez o jogo preciso e seguro do Munoa lhe rendeu belos frutos.

Eu fiz boas partidas, especialmente contra o Rodrigo Bruscato e Derlei Florianovtz de SC. No entanto, errei feio em momentos decisivos - no empate da quinta rodada com Luiz Moro e na derrota da última rodada para Vinícius Eltz. Na sexta eu perdi para o MI Sérvio Dragan Stamenkovic. Fiquei em 19º lugar no geral, primeiro dos 4,5, mas se for ver, nos critérios de desempate nem o campeão me bate. Sinal que joguei com adversários fortes do início ao fim do torneio.

As fotos, que além de poucas e esparsas, não podem ser copiadas, estão nesse link: http://www.flickr.com/photos/valdir_koch/5565851043/in/set-72157626368067040/

Não sei por qual motivo os organizadores deixam passar um evento desses com tão poucas fotos. Já estive em torneios que Nenhuma foto fora divulgada, ficando muito mais fácil um evento importante para a divulgação do nosso esporte ser engolido pelo tempo e o esquecimento. Às vezes a sensação é de que eles sequer aconteceram.

Resultados Completos e Cross Table no Site Xadrez Gaúcho.
É isso aí, Pesssoal.
Fiquem à vontade para comentar sempre.

domingo, 27 de março de 2011

Torneio Soeral

Iniciou semana passada mais um torneio organizado pelo clube Soeral (Sociedade Esportiva Recanto da Alegria) com o tempo de reflexão 1h x 1h, sendo jogada no mínimo uma partida por semana. Para quem não sabe o clube Soeral está localizado no Parque da redenção ao lado do parquinho de diversões bem em frente de onde ocorre todos os domingos o Brique. Ali o pessoal se reúne (principalmente o pessoal da terceira idade) para jogar bocha, carta, dominó, gamão, damas e Xadrez. O grande diferencial do clube é que fica ao ar livre, rodeado por árvores e há muitos lugares para estacionar nas redondezas do parque. Eu frequento o clube desde meus primeiros anos de xadrez e foi ali que desenvolvi meu jogo. Hoje em dia, já que trabalho bem ao lado da redenção, eu frequento o clube nos finais de tarde mais para bater um papo com os amigos e tomar um cafezinho do que para jogar.

O torneio desse ano conta com a participação de 24 jogadores, divididos em duas categorias - A e B. Na categoria A estão jogando Jorge Santos, Vinícius Budde, Comeli, Rodolfo Perondi, Guilherme Teixeira, Leandro Castro, Alex, Inácio, Jaer, Sérgio Sardi, Eider Cruz e Paulo Luz.

Joguei a primeira rodada contra Paulo Luz e obtive minha primeira vitória. A medida que eu for jogando minhas partidas eu as publicarei aqui mesmo nesse post.

1ª rodada



2º rodada


No torneio do ano passado, que não pude jogar, surgiu a seguinte posição na partida Filippon x Gilberto Lopes a qual deixo aqui como problema para os leitores resolverem. Fiquem à vontade para colocar suas sugestões nos comentários:

Jogam as pretas e ganham

Nelson Filippon x Gilberto Lopez

É isso aí, pessoal!
O próximo post será sobre o excelente torneio do Mercado Público.

domingo, 13 de março de 2011

Eider Cruz x MF Bolivar Gonzales - Semifinal do Brasileiro 2010


Essa partida aconteceu na quarta rodada do torneio. Eu vinha de dois empates bem pobres nas duas primeiras rodadas e uma boa vitória na terceira rodada contra o enxadrista goiano Marceley. Seria a segunda vez que eu enfrentaria um MF em torneios FIDE. A primeira foi contra o MF Fabiano Prates no Regional Sul de 2008 e terminou com resultado positivo para mim. Estava bastante confiante para essa partida e o MF Bolivar acabou jogando exatamente uma variante que eu esperava, já que eu tinha visto algumas partidas dele no meu banco de dados. Perdi a partida, mas mesmo assim, apesar de um grave erro no lance 24 e outros decisivos já no apuro de tempo, acredito ser uma partida muito boa pra ser bem revisada para se tirar o maior número de lições possíveis. "Aprende-se mais em 1 partida perdida do que em 100 ganhas." Já dizia o genial enxadrista cubano campeão do mundo José Raul Capablanca. Comecemos.

1.d4 Cf6 2.c4 c5 3.d5

Concentração ao iniciar a partida.

3...b5 4.cxb5 a6 5.b6 A principal alternativa é 5. axb6 que pode levar a linhas tais como 5. ...Bxa6 6. Cc3 d6 7. e4 Bxf1 8. Rxf1 g6 9. g3 Bg7 10. Rg2 0–0 e as pretas têm pelo peão as linhas abertas para o ataque com as peças pesadas na ala da dama com o auxílio do bispão em g7. Não queria ter que procurar lances defensivos, por isso achei por bem escolher 5. b6 que devolve o peão, mas oferece uma partida mais tranquila e com boas possibilidades a longo prazo.

5...Dxb6 6.Cc3 d6 7.e4 g6 8.Cf3 Cbd7 9.a4 Bg7 10.a5 Db7 Mais comum é dar lugar para atividade com a torre pela coluna com Da7 ou Dc7. Esse último ainda mantém um olho atento para a casa e5. 11.Be2 0–0 12.0–0 Ce8 O cavalo dá início a uma bela peregrinação de f6 à d4. 13.Ta3 Tb8 14.Cd2 Cc7 15.Cc4 Da7 Corrigindo o pequeno equivoco. 16.Bg5 Te8 17.Tb3 Calculei que a torre de meu adversário em b8 era mais importante do que a minha em a3.

17...Cb5 18.f4 Cd4 19.Txb8 Dxb8 20.Te1 Era necessário 20. Bd3 porque agora 20. Cxe2 é muito forte. Por exemplo, 21. Dxe2 Bd4+ 22. Rh1 Bb7 e o avanço e5 se torna dificílimo de ser efetuado. 20...Db4?! 21.Bf1 h6 22.Bh4 Cb3 23.e5 Normalmente no Gambito Benko e5 é o sonho de consumo das brancas. 23. ... dxe5

24.Te4? Um lance muito ruim que coloca por água abaixo todo o trabalho bem feito na abertura. Claro que não é possível agora 24. fxe5 por 24. ... Cxe5, explorando o indefeso bispo em h4. No entanto, 24. d6 é um lance que garante uma partida com perspectivas muito boas para as brancas. A primeira ameaça é o assustador 25. Cd5, o que praticamente obriga o preto a jogar 24. ... e6 e após 25. Ca2 Db8 26. fxe5 as brancas estão com clara vantagem. Uma tentativa de melhorar o jogo do preto é a seguinte linha de sacrifício 25. ... Db5 26. Cb6 Dxa5 27. Cxd7 Bxd7 28. Dxb3 exf4 - com uma luta muito difícil pela frente para o preto, apesar dos 3 peões pela peça.

24...f5 Aproveitando de pronto o fraco 24°| lance das brancas. 25.Cd6 A melhor alternativa. A idéia é de complicar a partida por meios táticos. 25...fxe4 26.Nxe8 exf4 27.Bxe7?! Justo agora! 27. Dg4 retomava as rédeas das partidas e as pretas teriam que ter muito cuidado para encontrar os melhores lances defensivos, embora my dear friend Fritz 11, após um bom tempo rodando, dê 0.00 para essa posição. Mas é claro, no nível da realidade a batalha não é nada fácil. Meu adversário logo ao término da partida sugeriu esse forte lance e eu concordei com ele que talvez realmente fosse melhor. Na verdade eu gastei algum tempo analisando essa possibilidade, mas mesmo assim decidi arriscar minhas chances num final complicado de peças menores e rechacei a idéia de manter as damas na partida e entrar na agudeza de um ataque direto ao rei. A primeira linha forçada de empate que surge após 27. Dg4 é a seguinte: 27. ... Cd2 28. De6+ Rh8 29. Cxg7 Dxb2 30. Dxg6 Dc1 31. Dxh6+ Rg8 32. De6+ com xeque perpétuo. Talvez a dificuldade defensiva das pretas seja a defesa através do contra-ataque e não do socorro direto ao rei em apuros. Mas acertando esses lances as pretas asseguram de vez o empate. 27. Bxe7 deixa a partida em aberto com melhor jogo para o preto.

27...Qd4+ 28.Qxd4 Bxd4+ 29.Kh1 Nd2 30.Be2 Ne5?! É natural que as pretas queiram colocar suas peças menores para jogar, já que as brancas estão ameaçando inclusive 31. Cd6. Mas o imediato 30. ... f3 deixa as pretas com uma mão no ponto. Por exemplo, 31. gxf3 exf3 32. Bxf3 Rf7 33. Cd6+ Rxe7 34. Cxc8+ Rd8 – ganhando peça. Agora as brancas estão de volta na partida 31.Cd6 Bf5 32.Bxa6 f3 33.gxf3 exf3 34.Cxf5 gxf5

Uma posição plasticamente bonita.

Os peões de “a” e o de “d” parecem assustadores, enquanto o de “f” das pretas parece facilmente parável. Com essa reflexão eu senti que minhas possibilidades na partida tinham crescido muito e por isso já pensei em lances que acelerassem o avanço de meus peões passados, me descuidando dessa forma do ganhador avanço do peão f do meu adversário. 35.Bb5? o primeiro grande erro. Eram necessários os profiláticos 35. Cd1 seguido de 36. Bh4 35...c4! Lógico. Cortando a diagonal f1-a6 e preparando o decisivo f2. 36.Bf6?? Quanta inocência! Agora já não há mais salvação. 46. Cd1 ainda manteria as brancas com algumas possibilidades mesmo com peça a menos, tamanho o poder dos peões passados brancos combinados com o par de bispos. 46.f2 0–1



É isso aí pessoal. Estou ainda tentando achar um modo de oferecer a opção de baixar um arquivo PGN da partida aqui no blog. Assim que eu, com o perdão da ignorância, descobrir como se faz, posto em todas as partidas já analisadas. Se alguém tiver alguma dica, por favor não deixe de se pronunciar. E por fim, deixo Riders on the storm para apreciação dos leitores, já que essa partida foi revista do início ao fim, ao excelente som de The Doors.