domingo, 10 de abril de 2011

II Torneio Aberto DC Shopping


O que mais me agrada nos torneios de xadrez é o ambiente dos jogos. Chegar cedo, tomar um café, compartilhar algumas experiências, dar risadas. E foi assim que o torneio do DC iniciou para mim, pro Guilherme Genro, André Gazola e Alberto Baségio. A partir disso, não importa se eu pendurar uma peça ou se o meu rei for sumariamente executado por um adversário impiedoso - o dia já foi ganho.

O torneio foi organizado com a qualidade de sempre - respeito aos horários, um bom espaço, emparceiramentos no telão, etc. O campeão foi o MF Luiz Ney Menna Barreto com 6 pontos, seguido de André Gazola também com 6. Os dois terminaram invictos a competição com 5 vitórias e 2 empates. Com 5,5 pontos ficaram Mário Fabris, Eduardo Munoa, Felipe Menna Barreto e Eider Cruz (de 3º a 6º nessa ordem).

Na segunda rodada enfrentei o amigo de longa data Rodolfo Perondi e abaixo está a nossa partida. Rodolfo tem um estilo muito ativo, sempre buscando a iniciativa - já tínhamos jogado o Gambito Morra no II Cultura Open. Naquela ocasião eu aceitei o gambito, contive os ímpetos do adversário e venci um final com 2 torres contra dama. Mas dessa vez resolvi evitar as complicações e jogar uma linha mais posicional.


Saí bem da abertura, mas então cometi alguns erros que parecem detalhes, no entanto são bem graves. Como por exemplo 12. ... Bd7 que limita de sobremaneira a liberdade de manobra das minhas peças menores - o correto é 12. ... Cd7 com bom jogo. Além disso depois de 23. ... Bxd5 e 24. ... Rh8, as negras se colocam deliberadamente em uma posição desesperadora. Perondi não perdoou esses erros e com jogo bastante lógico arrematou a partida com precisão.


Depois disso venci finalmente o Guilherme Genro - um velho fantasma do I Torneio do DC Shopping. E na quinta rodada venci o forte enxadrista Dayan - fantasma do Torneio Natalino do Metrópole ano passado. A partida contra o Dayan foi muito interessante - desde a abertura até o arremate final. Consegui reproduzir a partida em casa e deixo logo abaixo a belezura. Claro que 40. Cd2 é um erro, mas mesmo assim 40. Rc2 Bf4 41. Rd3 Th3+ 42. Rc2 Te3 e as brancas terão que entregar o cavalo pra não perder a torre.


Na sexta rodada joguei com Alexandro Bordignon - não o conhecia ainda e pude perceber que é um jogador com um bom potencial para lutar pelas primeiras posições no torneio. Nossa partida ele escolheu um plano de abertura equivocado com Cb3-d4, tentando a qualquer custo explorar a diagonal h1-a8, mas como suas peças não estavam devidamente desenvolvidas eu pude tomar a iniciativa com um jogo ativo de peças.


Na última rodada joguei de pretas com o campeão da I etapa do Circuito Oncosinos de Xadrez Clássico, André Gazola. Joguei uma Karo-Cann, mas me arrependi um pouco na verdade. Porque para o Gazola o empate estava de bom tamanho. Eu esperava algum plano mais ativo da parte dele e não foi o que aconteceu. Uma posição de empate apareceu muito rapidamente sobre o tabuleiro e não teve outra.

Agradeço muito aos organizadores e aos amigos por mais um sábado enxadrístico muito prazeroso.

Resultados Completos e fotos: Xadrez Gaúcho

Abraços!


X Torneio Internacional Cidade de Porto Alegre


Prometi escrever sobre o torneio do mercado, mas não tive tempo algum para poder fazê-lo nas últimas semanas. Aproveito agora esse final de tarde de domingo para fazer uma das coisas que me dá mais prazer: escrever nesse blog.

O torneio do mercado foi o melhor torneio dos últimos tempos em Porto Alegre na minha humilde opinião. Contou com a participação de 96 enxadristas vindo de diversas regiões do RS e de além fronteira. O campeão foi Eduardo Munoa, empatado com mais 5 enxadristas com 6 pontos, mas vencendo nos critérios de desempate. Mais uma vez o jogo preciso e seguro do Munoa lhe rendeu belos frutos.

Eu fiz boas partidas, especialmente contra o Rodrigo Bruscato e Derlei Florianovtz de SC. No entanto, errei feio em momentos decisivos - no empate da quinta rodada com Luiz Moro e na derrota da última rodada para Vinícius Eltz. Na sexta eu perdi para o MI Sérvio Dragan Stamenkovic. Fiquei em 19º lugar no geral, primeiro dos 4,5, mas se for ver, nos critérios de desempate nem o campeão me bate. Sinal que joguei com adversários fortes do início ao fim do torneio.

As fotos, que além de poucas e esparsas, não podem ser copiadas, estão nesse link: http://www.flickr.com/photos/valdir_koch/5565851043/in/set-72157626368067040/

Não sei por qual motivo os organizadores deixam passar um evento desses com tão poucas fotos. Já estive em torneios que Nenhuma foto fora divulgada, ficando muito mais fácil um evento importante para a divulgação do nosso esporte ser engolido pelo tempo e o esquecimento. Às vezes a sensação é de que eles sequer aconteceram.

Resultados Completos e Cross Table no Site Xadrez Gaúcho.
É isso aí, Pesssoal.
Fiquem à vontade para comentar sempre.

domingo, 27 de março de 2011

Torneio Soeral

Iniciou semana passada mais um torneio organizado pelo clube Soeral (Sociedade Esportiva Recanto da Alegria) com o tempo de reflexão 1h x 1h, sendo jogada no mínimo uma partida por semana. Para quem não sabe o clube Soeral está localizado no Parque da redenção ao lado do parquinho de diversões bem em frente de onde ocorre todos os domingos o Brique. Ali o pessoal se reúne (principalmente o pessoal da terceira idade) para jogar bocha, carta, dominó, gamão, damas e Xadrez. O grande diferencial do clube é que fica ao ar livre, rodeado por árvores e há muitos lugares para estacionar nas redondezas do parque. Eu frequento o clube desde meus primeiros anos de xadrez e foi ali que desenvolvi meu jogo. Hoje em dia, já que trabalho bem ao lado da redenção, eu frequento o clube nos finais de tarde mais para bater um papo com os amigos e tomar um cafezinho do que para jogar.

O torneio desse ano conta com a participação de 24 jogadores, divididos em duas categorias - A e B. Na categoria A estão jogando Jorge Santos, Vinícius Budde, Comeli, Rodolfo Perondi, Guilherme Teixeira, Leandro Castro, Alex, Inácio, Jaer, Sérgio Sardi, Eider Cruz e Paulo Luz.

Joguei a primeira rodada contra Paulo Luz e obtive minha primeira vitória. A medida que eu for jogando minhas partidas eu as publicarei aqui mesmo nesse post.

1ª rodada



2º rodada


No torneio do ano passado, que não pude jogar, surgiu a seguinte posição na partida Filippon x Gilberto Lopes a qual deixo aqui como problema para os leitores resolverem. Fiquem à vontade para colocar suas sugestões nos comentários:

Jogam as pretas e ganham

Nelson Filippon x Gilberto Lopez

É isso aí, pessoal!
O próximo post será sobre o excelente torneio do Mercado Público.

domingo, 13 de março de 2011

Eider Cruz x MF Bolivar Gonzales - Semifinal do Brasileiro 2010


Essa partida aconteceu na quarta rodada do torneio. Eu vinha de dois empates bem pobres nas duas primeiras rodadas e uma boa vitória na terceira rodada contra o enxadrista goiano Marceley. Seria a segunda vez que eu enfrentaria um MF em torneios FIDE. A primeira foi contra o MF Fabiano Prates no Regional Sul de 2008 e terminou com resultado positivo para mim. Estava bastante confiante para essa partida e o MF Bolivar acabou jogando exatamente uma variante que eu esperava, já que eu tinha visto algumas partidas dele no meu banco de dados. Perdi a partida, mas mesmo assim, apesar de um grave erro no lance 24 e outros decisivos já no apuro de tempo, acredito ser uma partida muito boa pra ser bem revisada para se tirar o maior número de lições possíveis. "Aprende-se mais em 1 partida perdida do que em 100 ganhas." Já dizia o genial enxadrista cubano campeão do mundo José Raul Capablanca. Comecemos.

1.d4 Cf6 2.c4 c5 3.d5

Concentração ao iniciar a partida.

3...b5 4.cxb5 a6 5.b6 A principal alternativa é 5. axb6 que pode levar a linhas tais como 5. ...Bxa6 6. Cc3 d6 7. e4 Bxf1 8. Rxf1 g6 9. g3 Bg7 10. Rg2 0–0 e as pretas têm pelo peão as linhas abertas para o ataque com as peças pesadas na ala da dama com o auxílio do bispão em g7. Não queria ter que procurar lances defensivos, por isso achei por bem escolher 5. b6 que devolve o peão, mas oferece uma partida mais tranquila e com boas possibilidades a longo prazo.

5...Dxb6 6.Cc3 d6 7.e4 g6 8.Cf3 Cbd7 9.a4 Bg7 10.a5 Db7 Mais comum é dar lugar para atividade com a torre pela coluna com Da7 ou Dc7. Esse último ainda mantém um olho atento para a casa e5. 11.Be2 0–0 12.0–0 Ce8 O cavalo dá início a uma bela peregrinação de f6 à d4. 13.Ta3 Tb8 14.Cd2 Cc7 15.Cc4 Da7 Corrigindo o pequeno equivoco. 16.Bg5 Te8 17.Tb3 Calculei que a torre de meu adversário em b8 era mais importante do que a minha em a3.

17...Cb5 18.f4 Cd4 19.Txb8 Dxb8 20.Te1 Era necessário 20. Bd3 porque agora 20. Cxe2 é muito forte. Por exemplo, 21. Dxe2 Bd4+ 22. Rh1 Bb7 e o avanço e5 se torna dificílimo de ser efetuado. 20...Db4?! 21.Bf1 h6 22.Bh4 Cb3 23.e5 Normalmente no Gambito Benko e5 é o sonho de consumo das brancas. 23. ... dxe5

24.Te4? Um lance muito ruim que coloca por água abaixo todo o trabalho bem feito na abertura. Claro que não é possível agora 24. fxe5 por 24. ... Cxe5, explorando o indefeso bispo em h4. No entanto, 24. d6 é um lance que garante uma partida com perspectivas muito boas para as brancas. A primeira ameaça é o assustador 25. Cd5, o que praticamente obriga o preto a jogar 24. ... e6 e após 25. Ca2 Db8 26. fxe5 as brancas estão com clara vantagem. Uma tentativa de melhorar o jogo do preto é a seguinte linha de sacrifício 25. ... Db5 26. Cb6 Dxa5 27. Cxd7 Bxd7 28. Dxb3 exf4 - com uma luta muito difícil pela frente para o preto, apesar dos 3 peões pela peça.

24...f5 Aproveitando de pronto o fraco 24°| lance das brancas. 25.Cd6 A melhor alternativa. A idéia é de complicar a partida por meios táticos. 25...fxe4 26.Nxe8 exf4 27.Bxe7?! Justo agora! 27. Dg4 retomava as rédeas das partidas e as pretas teriam que ter muito cuidado para encontrar os melhores lances defensivos, embora my dear friend Fritz 11, após um bom tempo rodando, dê 0.00 para essa posição. Mas é claro, no nível da realidade a batalha não é nada fácil. Meu adversário logo ao término da partida sugeriu esse forte lance e eu concordei com ele que talvez realmente fosse melhor. Na verdade eu gastei algum tempo analisando essa possibilidade, mas mesmo assim decidi arriscar minhas chances num final complicado de peças menores e rechacei a idéia de manter as damas na partida e entrar na agudeza de um ataque direto ao rei. A primeira linha forçada de empate que surge após 27. Dg4 é a seguinte: 27. ... Cd2 28. De6+ Rh8 29. Cxg7 Dxb2 30. Dxg6 Dc1 31. Dxh6+ Rg8 32. De6+ com xeque perpétuo. Talvez a dificuldade defensiva das pretas seja a defesa através do contra-ataque e não do socorro direto ao rei em apuros. Mas acertando esses lances as pretas asseguram de vez o empate. 27. Bxe7 deixa a partida em aberto com melhor jogo para o preto.

27...Qd4+ 28.Qxd4 Bxd4+ 29.Kh1 Nd2 30.Be2 Ne5?! É natural que as pretas queiram colocar suas peças menores para jogar, já que as brancas estão ameaçando inclusive 31. Cd6. Mas o imediato 30. ... f3 deixa as pretas com uma mão no ponto. Por exemplo, 31. gxf3 exf3 32. Bxf3 Rf7 33. Cd6+ Rxe7 34. Cxc8+ Rd8 – ganhando peça. Agora as brancas estão de volta na partida 31.Cd6 Bf5 32.Bxa6 f3 33.gxf3 exf3 34.Cxf5 gxf5

Uma posição plasticamente bonita.

Os peões de “a” e o de “d” parecem assustadores, enquanto o de “f” das pretas parece facilmente parável. Com essa reflexão eu senti que minhas possibilidades na partida tinham crescido muito e por isso já pensei em lances que acelerassem o avanço de meus peões passados, me descuidando dessa forma do ganhador avanço do peão f do meu adversário. 35.Bb5? o primeiro grande erro. Eram necessários os profiláticos 35. Cd1 seguido de 36. Bh4 35...c4! Lógico. Cortando a diagonal f1-a6 e preparando o decisivo f2. 36.Bf6?? Quanta inocência! Agora já não há mais salvação. 46. Cd1 ainda manteria as brancas com algumas possibilidades mesmo com peça a menos, tamanho o poder dos peões passados brancos combinados com o par de bispos. 46.f2 0–1



É isso aí pessoal. Estou ainda tentando achar um modo de oferecer a opção de baixar um arquivo PGN da partida aqui no blog. Assim que eu, com o perdão da ignorância, descobrir como se faz, posto em todas as partidas já analisadas. Se alguém tiver alguma dica, por favor não deixe de se pronunciar. E por fim, deixo Riders on the storm para apreciação dos leitores, já que essa partida foi revista do início ao fim, ao excelente som de The Doors.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

II Torneio Aberto Cidade de dois Irmãos - 5º Lugar


E por fim o último torneio do ano! E como não poderia deixar de ser pelo clima natalino, o torneio foi realizado ao lado de uma gigantesca árvore de natal. Deve ser muito mais bonita à noite, quando iluminada.




O Torneio novamente foi muito bom e muito bem organizado. O pessoal de Dois Irmãos se esforça muito pra oferecer um excelente torneio e com premiação em dinheiro pra atrair jogadores das cidades vizinhas. Creio que a maioria dos jogadores de fora vieram de Porto Alegre - Eu, Natan, Guilherme Teixeira, Felipe Menna Barreto, Eduardo Munoa, Orguim e Wagner Pessopani. Uma verdadeira caravana, sempre prestigiando os torneios da região de olhos atentos para as primeiras colocações. Acredito que esse intercâmbio enxadrístico é sobretudo muito importante para a criançada que joga em Dois Irmãos. Jogando com jogadores fortes, vindos de fora, elas podem testar suas forças, aprender mais e assim ter maiores possibilidades de evoluir.


Alencar Nascimento x Antônio Costa Curta
Alencar empatou com Felipe M. Barreto na terceira rodada do torneio

O torneio para mim estava indo muito bem, até o Munoa aparecer pela frente na quarta rodada. Como já virou rotina, peguei ele novamente de pretas. Ele jogou uma espécie de ataque na minoria, trocando de plano no meio do caminho e voltando a ele novamente porque a estrutura exigia. No entanto, um cavalo meu bem situado em d6 parava qualquer plano do branco ali. Sem poder jogar b5, acredito que a posição do preto é até levemente superior. Mas lance vai, lance vem, eu acabei deslocando o meu cavalo de d6 e permitindo o fortíssimo b5 que me deixa com a estrutura quebrada na ala da dama. Consegui forçar f3 por parte do meu adversário deixando ele também com uma importante debilidade em e3 que deixa a partida teoricamente com chances iguais. Depois de algumas trocas chegamos a um final completamente balanceado, como se é possível ver na foto abaixo. Nos apuros de tempo, na bateção de peça usual para uma partida de 15x15, cometi alguns erros e com o jogo sempre preciso do meu adversário, não tive outra opção se não deitar meu rei.


Eduardo Munoa x Eider Cruz
Dois Irmãos, Dezembro 2010

Na quinta rodada joguei com o Orguim. Joguei novamente uma catalã e fiquei com um excelente posição. Após eu ter conseguido avançar suficientemete meu peão de "a" sem nenhuma resistência, fazendo um bom estrago na maioria do meu adversário na ala da dama e algumas manobras esquisitas do cavalo negro, fiquei com uma posição praticamente vencedora. Mas era preciso encontrar logo o plano da vitória, porque se meu adversário conseguisse se aliviar da encrenca que tinha se metido, suas possibilidades poderiam se tornar boas com um lance como "c5", ativando o cavalo e as demais peças. Embora a atividade dos meus bispos provavelmente continuaria sendo decisica. A posição crítica creio que tenha sido a seguinte:


Eider Cruz x João Carlos Orguim
Nessa posição a vantagem branca parece ser clara: melhor estrutura, peças melhores colocadas (vide cavalo preto em a6), rei melhor protegido. No entanto as coisas não me parecem tão simples assim (ou são e sou eu que complico demais). O lance que escolhi para iniciar o ataque foi 1. d5 a idéia é jogar Td4 pra colocar imediatamente apuros ao rei adversário pela eminência do sacrifício Dxh6+ seguido de Th4 mate. 1. ... Te8! Um lance bastante lógico e bom. Já coloca a minha idéia de Td4 fora de cogitação e tenho que procurar uma casa para minha dama. Primeiramente pensei em Dd4 para colocar pressão na diagonal, mas depois de cxd5, não consegui enxergar nada de concreto. Foi então que me veio 2. d6 em mente que cria pelo menos um peão passado muito forte. Mas a idéia principal era colocar problemas para o bispo de d7 que ficaria indefeso após a troca indireta de damas. 2. ... Txe3 3. dxc7 Te6 (forçado) 4. Bd8 Tirando o bispo do ataque, defendendo o peão de c7 e mantendo o bispo de d7 sobre pressão. 4. ... Be8 5. Bh3 f5 (forçado de novo) 6. Te1! O cerne da questão. 6. ... Txe1 7. Txe1 Cxc7? Perde uma peça de imediato, facilitando a tarefa das brancas. 7. ... Bf7 ofereceria maior resistência e os lances vencedores seriam um pouco mais difíceis de encontrar, por exemplo 8. Te7 Rg8 9. g4 Rf8 10. gxf5 e se 10. ... Cxc7 então fxg6, também ganhando uma peça.

Obs: essas análises foram feitas sem ajuda de nenhum engine, portanto se houver algum lance que o leitor ache melhor ou alguma análise errônea, por favor deixe um comentário.

A partida estava se encaminhando para uma vitória tranquila, até chegar a seguinte posição com mate inevitável e a partida tomar rumos inesperados.


Eider Cruz x João Carlos Orguim

Nessa posição o lance cabia às negras que, no desespero da eminência do mate, jogaram 1. ... Te2 entregando sua própria torre para evitar o mate. No entanto, eu já tinha fotografado o mate e não tinha percebido o lance do meu adversário na velocidade dos segundos finais( o Orguim tinha uns 5 segundos e eu uns 12). Joguei imediatamente 2. Th2+?? meu adversário não teve dúvidas 2. ... Txh2 nesse momento eu parei o relógio e chamei o árbitro Marcelo Konrath alegando lance impossível. Rapidamente ficou provado que eu tive uma ilusão de ótica e que o lance era possível. O árbitro me deu, acertadamente na minha opinião, apenas uma advertência por ter parado o relógio e reclamado indevidamente, sobre protestos do meu adversário que queria uma punição mais severa. No fim, o Orguim teve que sacrificar a torre pelo meu peão para não perder no tempo e a partida terminou empatada. Conclusão que eu tiro dessa partida (e de outras que tenho jogado nos últimos tempos, desde a Semifinal do Campeonato Brasileiro): Quando eu estou com uma posição tecnicamente ganha, eu sou um perigo para mim mesmo.


Eider Cruz x Orguim
Dois Irmãos, dezembro 2010


Na sexta rodada joguei com o Felipe Menna Barreto. Estava sem cabeça para o jogo e acabei perdendo sem oferecer muita resistência. Na última rodada joguei contra José Pedro Costa Curta que aos oito anos de idade já tá dando trabalho para muito marmanjo. Uma grande promessa do xadrez gaúcho.

E por fim, foto com os premiados da categoria absoluta juntamente com o árbitro do torneio:



Maiores informações, resultados completos, cross table e mais fotos:

É isso ae, amigos!
Tenham todos um feliz natal com muita paz no coração.
=]


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Campeonato Aberto e Torneio Natalino do Metrópole Xadrez Clube

Mais um ano está chegando ao fim e o xadrez gaúcho vai dando alguns sinais de vida. Pelo que eu pude constar pelo site Xadrez Gaúcho, há torneios constantemente sendo realizados em Santana do Livramento, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Igrejinha e Dois Irmãos. Ou seja, embora nossa federação não exista legalmente, o nosso xadrez não parou as suas atividades.

E dessa vez os enxadristas foram brindados com mais dois excelentes eventos num só fim de semana (04/12 e 05/12), realizado pelo Highlander MXC. Uma pena que eu não achei as fotos do evento para poder ilustrar melhor para os leitores. Assim que eu conseguir algumas fotos com os organizadores, prometo postar aqui.

O torneio que se realizou no sábado foi em vários ritmos de jogo e o campeão foi Eduardo Munoa, empatado com o Peruano Jonathan de la Cruz. A minha participação foi mediana até boa parte do torneio, mas com 2 empates e duas derrotas não há torneio que se salve. No fim acabei ficando em nono lugar dentre os 34 participantes do torneio.

Uma das minhas derrotas foi para o Dayan. Joguei bem a abertura e entrei com certa vantagem no meio jogo. Quando iria começar a fase das manobras para tentar converter a vantagem eu joguei o 28. Dd3 seguido de bxc4 que perdem imediatamente.




O torneio do domingo foi um blitz em 13 rodadas, no qual participaram 23 jogadores, dentre ele o MF Luiz Ney Menna Barreto (2313) que ficou em segundo lugar, atrás apenas do campeão Vitor Hugo Ferreira. Eu acabei ficando em sétimo lugar com 7 vitórias, 1 empate e 5 derrotas. Apesar das 7 derrotas, foi um excelente fim de semana de xadrez. Depois dos eventos ainda fomos tomar umas cervejas, Guilherme Genro (um jogador tático aguerrido, André Gazola (um posicional agressivo) e eu (um simples mortal).

Amanhã, dia 19, teremos mais um evento na Cidade de Dois Irmãos. E eu estarei lá novamente, peleando ponto a ponto para defender o meu título.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Exercício III

Olá, enxadristas!

Mais um semestre se foi na faculdade e para celebrar comecei a ler o livro El Ajedrez de Torneo, no qual Brostein analisa todas as partidas do torneio de candidatos de 1953. O livro é muito interessante porque não nos apresenta aquelas infinitas análises e variantes como se fossemos máquinas, mas sim vai apresentando as idéias inerentes em cada posição, além das peculiaridades psicológicas inevitáveis em qualquer torneio de xadrez.

Folheando as páginas encontrei a posição abaixo na partida Stahlberg x Boleslavsky pela primeira rodada do torneio. Os jogadores acordaram empate após 1. Ce8+ Rg8 2. Cf6+ Rg7 3. Ch5+ Rg6 4. g4 Cc5. No entanto, a partir do diagrama apresentado, as brancas tem uma continuação que as deixa com vantagem decisiva. Não é nada fácil de encontrar, acredito que seja daquelas variantes inumanas. Mas em todo o caso lanço o desafio para os amigos. Dentro de alguns dias eu mostro a resposta. Deixem suas sugestões nos comentários e nada de Engines!

Jogam as brancas
Qual a melhor continuação?
Tema - Zug


Stahlberg x Boleslavsky
Torneio de Candidatos, 1953

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Torneio DC Navegantes no Correio do Povo

Nessa segunda-feira, dia 29 de novembro de 2010, foi publicada uma nota no Correio do Povo sobre o Torneio Aberto do DC shopping o que ressalta ainda mais o sucesso do evento. Para a minha surpresa , eu apareço em primeiro plano jogando contra Vinicius Eltz na foto ilustrativa. Ao Lado aparece João Carlos Orguim e ao fundo Guilherme Teixeira observando as partidas.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Márcio Dornelles x Eider Cruz - Torneio Aberto da AABB



Análises e comentários por Márcio Dornelles



1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 d5 4.cxd5 Cxd5 5.e4 Cxc3 6.bxc3 Bg7 7.Be3
O lance textual foi utilizado por Karpov no match pelo título mundial de 1990. Uma opção mais popular é 7.Bc4. 7...c5 8.Dd2 Da5 9.Td1?! A variante crítica nessa posição é 9.Tb1 cxd4 10.cxd4 Dxd2+ 11.Rxd2. Outra possibilidade é Da5 9.Tc1 0–0 10.Cf3. O lance jogado é menos ativo e a prática tem demons
trado não ser esta a melhor posição para a TD. De toda forma, a retirada da Ta1, bem como o movimento Dd2, visam facilitar o futuro avanço d5, temático para o branco na Grunfeld. 9...0–0 10.Cf3 Bg4 Típica cravada da Defesa Grunfeld. Nessa posição o branco detém um forte par de peões centrais que, entretanto, é objeto de forte pressão por parte do preto através da diagonal a1–h8, coluna d, Cc6, Da5 e Bg4. Típica cravada da Defesa Grunfeld. Nessa posição o branco detém um forte par de peões centrais que, entretanto, é objeto de forte pressão por parte do preto através da diagonal a1–h8, coluna d, Cc6, Da5 e Bg4. 11.Be2 Td8 Nessa posição foi jogado 12- 0–0 Cc6 13 Db2 cxd4 14 cxd4 Td7 na partida Yugina (2032)-Danin (2420)- Memorial Tchigorin, 2004, com equilíbrio. 12.h3? Após 12... Bxf3 13 Bxf3 Cc6 14 0–0 cxd4 15 cxd4 16 Dxd2 Txd2 17 Bxd4 o peão central branco cai. 12...Be6? 13.0–0!?


O sacrifício do peão a2 tem sido utilizado como uma alternativa para o branco obter um jogo mais ativo na Grunfeld. Em troca do material o branco obtém uma larga iniciativa. No post mortem examinou-se a possibilidade 13.c4, com a idéia de seguir d5, que parece oferecer boas possibilidades para o branco após 13... Dxd2 14 Txd2 cxd4 15 Cxd4 Bd7 16-O-O. Entretanto, na análise caseira Fritz 12 apontou 13... Da3, um lance verdadeiramente inesperado que oferece importantes problemas ao branco, explorando a força do BR negro na longa diagonal. Uma possível variante: 14 Dc2 cxd4 15 Cxd4 Bxd4 16 Txd4 Cc6 17 Txd8 Txd8 18 0–0 Cd4 19 Bxd4 Txd4 20 Td1 Txd1 21 Bxd1, e o preto tem um final melhor, pela melhor estrutura de peões e atividade das peças. 13...cxd4 14.cxd4 Dxa2 15.d5 Dxd2 16.Txd2 Bc8

Essa posição é muito importante, porque nesse momento o branco deve escolher o plano que norteará suas ações no meio-jogo. Inicialmente pensei em ativar minhas torres impedindo qualquer avanço dos peões pretos na ala da dama, o que parece ser uma ideia. Ocorre que isso é insuficiente, o branco deveria também resolver a questão dos peões centrais, que em breve, como se verá, serão alvos de contra-ataque. Enquanto isso o preto deverá se preocupar com o seu desenvolvimento atrasado, ao mesmo tempo em que impede o avanço dos peões centrais.

17.Ta2 a6 18.Tc1 Cd7 19.Tc7 Essa penetração na sétima fila se mostrou inócua. Melhor seria reforçar a pressão na coluna c com 19 Tcc2. 19...Rf8 Não havia necessidade de defender o peão de e7, já que após 19... Cf6 20 Txe7 Bf8 21 Tc7 Cxe4 e o branco terá dificuldades para defender d5. 20.Cd4 A idéia desse lance era possibilitar um futuro f4, centralizar o cavalo e reduzir o alcance do BR preto na longa diagonal. 20. ... Be5 Obrigando a torre branca a voltar para casa de mãos vazias. Agora depois de Cf6 o branco terá dificuldades em mobilizar seu centro. Aos poucos Eider ativa suas peças.) 21.Tc1 Cf6 22.Cf3 Fritz aponta este lance também. A opção era Bd3 defendendo imediatamente o peão de e4 e projetando um futuro f4. A idéia do lance é simplesmente afastar o bloqueador Be5, ao mesmo tempo em que dificulta a ligação entre as torres.

22. ... Bb8 23.Bb6 Momento crítico. Esse lance era muito tentador, bloqueia os peões negros com ganho de tempo em cima da torre. Entretanto, e isso fará a diferença na posição, permite que o BR negro volte ao jogo ao ocupar a diagonal c1–h6. O simples 23-Bd3 daria bom jogo ao branco após 23... Bd7 24- Tb1 b5 25 Tca1 Tc8 e agora 26 Txa6 recupera o peão. 23...Te8 24.Tac2? Ponto de inflexão no jogo. A torre estava melhor colocada na coluna a. A alternativa era jogar 24 Bd3 ao que poderia seguir Bd7 25 Bd4 Tc8 26 Tb1 pressionando os peões da ala da dama. O branco não aproveita sua vantagem espacial, de caráter temporário, e aos poucos o preto resolve seus problemas de desenvolvimento. 24...Bd7 25.Bd3 Bf4 26.Tb1 O jogo mudou totalmente. As peças pretas agora estão ativas e há um peão de vantagem. 26...Tec8 27.Tcb2 Tc3! Iniciando a penetração pela coluna c e aproveitando a situação indefesa do Bd3. 28.Ce1 Tac8 29.Bd4 Tc1 30.Txb7? Já no apuro de tempo, o branco comete um erro grave. Era necessário jogar g3 e Rg2 livrando-se da incomoda cravada do Ce1. 30...Bb5! Aproveitando-se do erro anterior



31.Txc1 Txc1 32.Bxb5 axb5 33. Rf1 Bd2? O lance mais lógico, mas que permite que as brancas pelo menos igualem a partida. No entanto, 33. ... Cxe4 34. Re2 Cd6 mantem todas as vantagens da posição negra. 34. Re2 Bxe1 35. e5?? 35. d6!! colocaria o branco de volta no jogo 35. ... Cxd5 36. e6. fxe6 0–1