terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O martírio da inglesa

Dr. Ronald Câmara

            Em Riga, uma inglesa foi impiedosamente trucidada, depois de sofrer as maiores vicissitudes. O palco dessa tragédia foi o teatro Raino Daib, por ocasião da 2ª rodada do torneio interzonal ora em curso na Capital da Letônia, tendo como implacável algoz o ex-campeão do mundo Miguel Tal e vítima inerme o conhecido grande-mestre Lev Polugaievsky.
          De natureza eclética e plena de possibilidades estratégicas a inglesa situa-se entre as mais sólidas e populares linhas de jogo. Por que então esse surpreendente revés? Quais os motivos desse resultado?
           Foi ocasionado pela disparidade de forças entre os contendores ou deveu-se ao aparecimento de um fato novo, capaz de mudar o panorama da luta?
         O desenrolar desse empolgante duelo mostra que essa última circunstância foi preponderante, surgindo em cena uma variante contra a inglesa de grande valor teórico e fadada a alcançar enorme repercussão.
         Além disso, Miguel Tal reviveu todo o esplendor dos seus melhores dias, atuando com rara inspiração e extraordinária habilidade, numa expressiva demonstração de seu exuberante talento e capacidade combinatória.
            Eis como aconteceu “o martírio da inglesa”:

Torneio interzonal A
Riga, 6 de setembro de 1979.
Abertura Inglesa (R-44/b)
Brancas – Lev Polugaievsky
Pretas – Miguel Tal

 1.c4 c5 2. Cf3 Cf6 3. Cc3 d4 4.cxd Cxd5 5.e4 O lance do texto conduz a posições agudas e ricas de possibilidades táticas. A alternativa 5.d4 desfruta da predileção dos jogadores posicionais e um dos exemplos mais recentes é a partida Portisch x Hubner, Montreal, 1979, apreciada em “Xeque-Mate” de 27.05.79)

5. ... Cb4 A continuação mais incisiva a troca 5. ... Cxc3 6.dxc3! Dxd1+ 7. Rxd1, garante às brancas promissoras perspectivas como atesta a partida Benko x Seirawan, Lene Pine, 1978) 6. Bc4 As preferências se dividem entre esta jogada e 6. Bb5+. Ambas são sobejamente conhecidas de Miguel Tal como evidenciam as suas partidas com Poutiainen e Tukmakov, em 1977.

6. ... Be6 7. Bxe6 Cd3+ 8. Rf1 fxe6 9. Cg5 Posição crítica dessa variante. Neste momento já foram tentadas as continuações 9. ... Cc6 e 9. ... Dd7. Ultimamente, essas alternativas sofreram sério reveses. 9. ... Db6! Como costuma acontecer com toda ideia nova: depois de descoberta parece simples e lógica. A defesa do peão de “e6” é feita simultaneamente com o ataque ao ponto vulnerável “f2”. É incrível que uma alternativa tão racional não tenha sido cogitada por abalizados pesquisadores como Michael Stean, D. Moiseev e G. Ravinsky que publicaram extensas análises sobre essa variante!

10. De2 Contra Dd2, a melhor resposta é 10. Df3! Como indicam diversos exemplos da prática magistral. Qual o motivo que levou Polugaievsky a rejeitar essa continuação que é bem mais ativa? É provável que, neste caso, Tal houvesse continuado da mesma maneira com 10. ... c4 e após 11. Df7+ Rd7!, seguindo eventualmente de h6 e Cc6, com promissora iniciativa. 10. ... c4 11.b3 h6 12. Cf3 É evidente que 12.bxc Cf4, as pretas ganhariam uma peça. A opção atraente, porém, era 12. Dh5+ Rd7 13. Ch3, conservando as chances na balança.

12. ... Cc6 13.bxc 0-0-0! A batalha inicial foi ganha pelas pretas: além da superioridade em desenvolvimento, a posição comporta grandes possibilidades de ataque que serão magistralmente aproveitadas por Miguel Tal. 14.g3 Se polugaievsky soubesse o que lhe reservava o futuro, teria preferido afastar o incomodo corcel de “d3”, mediante 14. Cd5!? exd5 15. Dxd3, aliviando a pressão em torno de seu rei.

14. ... g5 15. Rg2 Bg7 16. Tb1 Dc5 17. Cb5 g4 18. Ch4 Thf8 A supremacia das pretas é patente e a partir deste instante a ofensiva é conduzida de forma precisa e elegante com todos os “condimentos” que caracterizam o estilo de Tal: impetuosidade, intuição e senso tático. 19. Tf1 Dxc4 É sempre agradável poder efetuar uma captura que cria uma ameaça mortal: 20 ... Cf4+ ganhando a dama.

20. De3 Seria funesto 20. Dxg4, por causa de 20. ... Cxf2 21. Txf2 Txf2+ 22. Rxf2 Tf8+ 23. Cf3 (se 23. Cf5 Txf5+ era decisivo) 23. ... Ce5 24. Dxg7 Txf3+ seguido de mate. 20. ...Cxf2! Um engenhoso sacrifício que traz a marca inconfundível do “genial combinador de Riga”. 21. Cg6 A aceitação do cavalo teria sido fatal: 21. Txf2 Txf2+ 22. Rxf2 (22. Dxf2 Dx34 era conclusivo) 22. ... Tf8+ 23. Cf5 exf5, com fácil triunfo. Por outro lado, era também desastroso 21. Cxa7+ Cxa7 22. Dxa7 Dxe4+ 23. Rg1 Dh1++. 21. ... Td3 22. Ca3 Da4 23. De1 T(d3)f3 24. Cxf8 Cd3 25. Dd1 Após 25. De2, surgiria 25. ... Cd4! 26. Dd1 Dxd1 27. Txd1 Tf2+ 27. Rh1 Cf3 com mate inevitável. 

25. ... Dxe4 Era também conclusivo 25. ... Dxd1 26. Txd1 Tf2+ 27. Rh1 Cd4 28. Bb2 Cf3! 29. Tbc1+ Rd8 30. Cxe6+ Rd7 31. Cf8+ Re8, seguido de mate. 26. Txf3 gxf3+ 27. Rf1 A situação das brancas já é sem esperanças: se 27. Rh3? Cf2 mate, enquanto que 27. Rh1? F2+, seguido de mate. Por outro lado, 27. Dxf3, permitia 27. ... Ce1+, ganhando a dama. 27. ... Df5! 28. Rg1 Bd4+ As brancas abandonaram. Após 29. Rf1 Dh3 mate, ao passo que 29. Rh1 Cf2+ era fulminante. Uma esplêndida partida de Miguel Tal.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Aberto Tenda da UNISC em Capão da Canoa - boa partida contra o MF Flávio Olivência

Sempre é bom quando tem um torneio na praia nas férias. Unir uma semana de descanso a um encontro enxadrístico com os amigos é um prazer enorme. O torneio aberto da tenda da UNISC em Capão da Canoa que ocorreu no dia 26 de janeiro foi vencido pelo MI Sérvio Dragan Stamekovic, seguido de perto por Ivan Boere. 

A partida contra o MF Flavio Olivência foi jogada pela segunda rodada no torneio. Depois dela meu rendimento caiu consideravelmente, pois de certa forma reagi como se minha missão no torneio já estivesse sido cumprida. Esse é o mal de não ter rating FIDE de xadrez rápido e pegar os melhores da competição já nas primeiras rodadas. Na terceira, contra Eduardo Munoa, apesar de eu ter saído com uma posição melhor da abertura, Munoa soube segurar a posição. Tudo estava se encaminhando para um empate se não fosse o meu erro de pensar que não mais poderia perder num final de bispo de cores opostas e torre. Munoa seguiu firme e com bons planos me pegou no contra pé. Depois de um empate com o Orguim  e mais uma derrota pro MF Luiz Nei, o décimo lugar foi mera consequência.

No entanto, minha vitória contra o MF Olivência foi uma façanha competitiva que me deixou muito satisfeito, pois foi minha primeira vitória contra esse forte mestre do xadrez gaúcho. Foi mais um tabu muito importante de ter sido quebrado. Abaixo apresento a partida. 





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Qual a importância de uma final de Estadual?

Acho que essa deveria ser a primeira pergunta que o organizador de tal evento e os enxadristas deveriam ter em mente e na medida do possível deveriam também tentar respondê-la. 

Ano passado tivemos provavelmente a final gaúcha mais fraca de todos os tempos com apenas 13 jogadores e com a presença de apenas 1 ex-campeão estadual. Não tivemos nenhum mestre na disputa e outros muitos jogadores que poderiam ter comparecido para disputar o título também se abstiveram de participar. Razões: Falta de premiação? É justo que quem dedica tempo pra jogar um bom nível de xadrez escolha torneios que possam lhe dar retornos razoáveis. Sabemos da dificuldade que há em conseguir apoio para o xadrez e uma final com premiação baixa e apenas para os 3 primeiros é compreensível, embora desmotivador não só para os melhores jogadores, mas para todos os enxadristas que poderiam se deslocar para jogar a final e lutar como sempre lutam em todas suas partidas. Se ainda houvesse outras motivações para esse deslocamento de enxadristas... mas não há. Não se faz nem o mínimo que é a divulgação das partidas e fotos. Poderia-se também ser divulgadas algumas análises dos próprios jogadores, diagramas, crônicas, etc. O mais agravante é que quando esses enxadristas não estão satisfeitos e expressam essa insatisfação, a resposta que recebem é do tipo: "não gostou faz melhor", cortando dessa forma qualquer diálogo que poderia haver entre organizadores e enxadristas.

Do estadual apenas o que fica é o nome do campeão em uma lista de campeões estaduais. E as perguntas ingênuas e sonhadoras que fazemos são: que valor tem esse título? o campeão dá sua contribuição para a divulgação do xadrez? é convidado para palestras, simultâneas? Se nós mesmos não respeitamos nossos campeões, quem irá respeitar? Se nós mesmos não respeitamos nosso esporte, quem irá patrocinar?

Para finalizar, parabenizo mais uma vez o tricampeão(!) Eduardo Munoa da Silva. Mais uma vez demonstrou ser um jogador duro na queda.

Minhas partidas do Estadual 2012

1ª rodada



2ª rodada

Infelizmente não tenho essa partida completa. Mas depois de muita luta e com as chances de vitória pendendo para um lado e para o outro durante boa parte do tempo, coube a mim cometer o penúltimo erro e vencer o final.



3ª rodada



4ª rodada

Na posição final, Munoa me ofereceu empate e eu com apenas 1min30s no relógio aceitei. Amadorismo meu, não deveria ter aceito e devido a simplicidade do final (Txf8+, Db8+ e Td8+ trocando todas as peças) deveria ter jogado para ganhar. Aceitei o empate, pois entrava na última rodada com meio ponto a frente dos demais. Empates por conveniência normalmente têm efeitos colaterais.



Acredito que joguei um bom xadrez, talvez o melhor de toda a final, mas pus tudo a perder na última rodada. Jogando contra o Daniel Pertuzzatti saí com uma excelente posição da abertura, mas gastei muito tempo. Entrando no meio jogo comecei a fazer lances muito fracos (cansaço, impaciência e falta de tempo são minhas sinceras desculpas). Pertuzzatti não deixou barato, exclamou pelo menos 2 vezes em resposta e arrematou a partida. Não tenho anotado o jogo completo.

5ª rodada



Partidas em PGN

Resultados completos: CHESSRESULTS

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Resgate histórico: Torneio na SOGIPA - 1992

Um resgate histórico valiosíssimo para o xadrez gaúcho foi divulgado essa semana no youtube pelo enxadrista Antônio Benevenga, dono do maior site para jogar xadrez do Brasil. O torneio em questão é o Torneio Aberto 50º aniversário do departamento de xadrez da SOGIPA que ocorreu há 20 anos atrás e teve a participação de 115 jogadores. Ele ocorreu de 28 a 30 de agosto de 1992, época em que eu ainda com 5 anos de idade, sequer cogitava a possibilidade da existência de um jogo como o xadrez - fui aprender a mexer as peças no ano 2000.

Ao procurar informações sobre esse torneio na internet, encontrei o livro "Xadrez: a guerra mágica" de Egon Klein digitalizado. Nele se encontra a classificação dos seis primeiros colocados. Foram eles:

1º Luiz Nei Menna Barreto 6,5 pts.
2º Daniel Diano (URU) 6 pts.
3º Paulo Sérgio de C. Oliveira 6 pts.
4º André Shuartz 5,5 pts.
5º Paulo Caliari 5,5 pts.
6º Rogério Becker 5,5 pts.





No vídeo podemos ver em ação jogadores que estão ativos até hoje, outros que pararam de jogar e outros que já se foram. Não conheço todos os jogadores que aparecem, mas vou me arriscar a fazer uma lista dos que conheço na ordem que aparecem:

Fred Shaffer (atual diretor do departamente de xadrez da SOGIPA), Airton Dias (Rock'n Rio), Daniel Shossler, Antônio Benevenga, Antônio Rogério Crespo, MI Francisco Trois, Lauro Bertini (falecido), MF Luiz Nei Menna Barreto, Ivan Boere, Rogério Becker, MI Herman Claudius, Paulo Sérgio de Castro Oliveira, Egon Klein (falecido), Eduardo Munoa (com 12 anos de idade). 

Claro que eu poderia listar muitos outros, mas por desconhecimento e pela dúvida achei melhor deixar essa tarefa para quem tiver mais certeza. Fiquem à vontade para aumentar minha lista nos comentários.

Resgates históricos como esse fazem parte da construção de um futuro para o xadrez. Sem a noção de tradição e continuidade, fica muito difícil escrever uma história. E sem história só o que fica são superficialidades banais que nada dizem para as futuras gerações.

Para baixar o livro de Egon Klein:

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O ''enfant-terrible'' de Baku!

Dr. Ronald Câmara

Atualmente, Garry Kasparov, de 16 anos, é a maior sensação do xadrez mundial. Com seu extraordinário triunfo no torneio internacional de Banja Luka, superando ases consagrados como Tigran Petrosian, Ulf Anderson e Jan Smejkal, esse jovem valor passou a ser comparado com os maiores prodígios da história do xadrez.
Há pouco, na vil Espartaquíada Estival dos povos da URSS, “o astro de Baku” voltou a brilhar intensamente, demonstrando a sua notável capacidade enxadrística, ao defender o 2º tabuleiro da equipe da república de Azerbaijão.
Entre suas “vítimas” nesse certame figura o conhecido grande-mestre Lev Polugaievsky. De resto, esta foi a segunda vez que Polugaievsky foi derrotado por Kasparov. No último campeonato da URSS, esse jovem ás do tabuleiro impôs-se brilhantemente, com um inspirado sacrifício, diante de tão categorizado adversário.
Agora, Kasparov voltou a vencer Polugaievsky, superando-o num instrutivo final de torres, repleto de nuances e ensinamentos. 

VII Espartaquíada Estival dos Povos da URSS
Frunze, 13 de julho de 1979
PR – Defesa Siciliana (E85/c)
Brancas – G. Kasparov
Pretas – L. Polugaievsky

1.e4 c5 2. Cf3 d6 3.d4 cxd 4. Cxd4 Cf6 5. Cc3 e6 A variante da Siciliana decorrente dessa formação leva o nome de Sheveningen, por ter sido popularizada no torneio internacional efetuado nessa cidade holandesa em 1923. A sua ideia é obter uma vantagem no centro, com dois peões pretos de e6 e d6 superando a ação do peão branco e4. A principal obejeção contra esse sistema é o seu caráter passivo, não possuindo o dinamismo dos outros esquemas da Siciliana.

6. Be3 a6 7.g4! Este lance caracteriza “o ataque Keres diferido”. Na realidade, este avanço é feito na jogada anterior e foi assim que Paul Keres jogou na sua famosa partida contra Bogoljubov, no Torneio de Salzburgo, 1943. O seu obejtivo é evidente: efetuar um ataque à baioneta, utilizando para isto os peões da ala do rei.

7. ... Cc6 Merece consideração neste momento 7. ... h5, como ocorreu na partida R. Câmara x S. Schweber, Zonal Sul-Americano de 1960. O detalhe é que, neste caso, a continuação 8.g5 permite 8. ... Cg4!, pedindo explicações ao importante prelado de e3.  8. g5 Cd7 9. Tg1 Be7 Uma alternativa mais dinâmica é 9. ... Dc7 10.f4 b5 11.a3 Tb8 12. Dd2 Cc5, com chances recíprocas como evidenciou a partida Sax x Tringov, Torneio de Osijek, 1978.

10. h4 é também viável 10. Dh5 0-0 11. Tg3, com forte ataque. 10. ... 0-0 11.h5 C(d7)e5 12. Cxc6 Cxc6 13.f4 b5 Comparando com a avalhancha de peões brancos ao roque inimigo, o contra-ataque da pretas é bastante modesto. 14. Df3 Bb7 15. Bd3 Cb4 16.f5 exf 17. Dxf5 Cxd3+ 18.cxd3 Dc8 As pretas procuram atenuar os efeitos de uma abertura defeituosa entrando num final materialmente equilibrado. 19.. h6 Te8 Era demasiado arriscado 19. ... g6 em vista de 20. Cd5 gxf5? 21. Cxe7+ Rh8 22. Bd4+, com complicações favoráveis às brancas.

20. hxg7 Dxf5 21.exf5 Bxg5 22. Txg5 Txe3+ 23. Rd2 Tf3 24. Ce4 Bxe4 25.dxe4 Após simplificações, chegou-se a um final de torres sumamente curioso, com vantagem estratégica para as brancas, graças ao seu insinuante peão de g7 e a posição ativa do seu rei.

25. ... Te8 26. Tc1 Começam a surgir os detalhes táticos do final: o mate em c8 defende indiretamente o peão de e4. 26.d5?! De valor duvidoso, este lance transforma uma situação inferior em comprometida. Era preferível 26. ... Tf4, embora com 27. Tc6 as brancas dominassem as ações. 27.e5 h6 28. Th5 A tentadora continuação 28.f6? Seria refutada mediante 28. Tf2+, uma vez que 29. Re3 ensejaria 29. ... Txf6!, com vantagem para as pretas. 29. Txe5 Toda a defesa de Polugaievsky foi calculada nesta captura. Não servia 28. Rxg7 29. Tg1+ Rh7 30.e6 fxe6 31. Tg6! Seguido de mate.

29. f6! Esta “finesse” decide a partida, confirmando o truismo enxadrístico: “toda combinação tem por base um ataque duplo”. No caso, a ameaça de captura da torre e mate destroem todas as esperanças das pretas.

29. ... Tf2+ 30. Rd3 Tf3+ 31. Rd4 Te4+ 32. Rxd5 Te8 33. Txh6 Tf5+ 34. Rd4 é bastante instrutiva a manobras do rei branco para anular os xeques das torres pretas. 34. Tf4+ Rc5! 35. Tf5+ Era igualmente perdedor 35. ... Tc8+ 36. Rd5 Tf5+ 37. Re4 e ganha. Por outro lado, não servia 35. ... Txf6 por causa de 36. Txf6 Tc8+ 37. Tc6! Com fácil triunfo. 36. Rb6 Te6+ 37. Tc6! As pretas abandonaram. Somente à custa de uma torre o mate poderia ser evitado. Uma eloquente produção do “enfant terrible” de Baku!





Resgate Histórico - Crônicas do Dr. Ronald Câmara




Dr. Ronald Câmera, bi-campeão brasileiro nos anos 1960-61. Além de um forte jogador que muito contribuiu para o desenvolvimento do xadrez brasileiro e latino-americano, deixou uma vasta obra literária de muita qualidade relacionada ao nosso esporte. Suas crônicas publicadas num período de 10 anos (de 1979 a 1989) nos jornais ''O Povo'' e ''Diário do Nordeste'', retratam um período de glória do xadrez no mundo, como por exemplo, o surgimento, a ascensão  e a obtenção do título mundial do melhor jogador de xadrez de todos os tempos: Garry Kasparov. 

Vale lembrar que, a partir dos esforços do Dr. Antônio Fabiano Ferreira Filho, já tivemos ano passado o prazer de ter acesso em PDF à uma obra imprescindível para nós enxadristas brasileiros: O livro ''Peões na  Sétima'' também de Ronald Câmara. Agora, novamente pelo esforços do Dr. Fabiano e à generosidade da esposa do autor, Senhora Rita Câmara, teremos a oportunidade de revitalizar suas crônicas que serão publicadas aqui neste blog. 

Tive a tarefa de digitar e atualizar a notação das partidas para o sistema algébrico das versões scaneadas que foram me passadas - além de tranferir as análise do Dr. Câmara para um arquivo em PGN. 

No próximo post, será publicada a primeira crônica que escolhi: ''O ''enfant-terrible'' de Baku'', na qual em 1979 Dr. Ronald não poupa elogios ao ainda adolescente de 16 anos que a partir de meados da década de 80 iria assombrar o mundo por 15 anos consecutivos como campeão mundial. 

Tenho certeza, amigo leitor enxadrista, que teremos ótimos momentos de leitura. Apreciem sem moderação.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Simultânea em São Luiz Gonzaga


Estive no dia 10 de novembro em São Luiz Gonzaga (terra de Jayme Caetano Braun onde meus avós paternos moraram e se conheceram em uma lejana década de 40!) realizando uma simultânea para os jogadores locais. O evento ocorreu durante a feira do livro da cidade e contou com a presença de 15 jogadores, escolares e adultos, que se revezaram nas 6 mesas disponíveis - alguns jogaram duas e até mesmo três vezes e tive a felicidade de vencer todas as partidas. O legal é que no decorrer da simultânea as famílias que estavam na feira do livro aos poucos foram se sentando nas cadeiras em frente do palco para assistir por curiosidade aquele evento de xadrez. 



Fui muito bem recebido pelo jogadores São Luizenses e tive um tratamento de primeira por parte do organizador Rafael Vieira.  Logo antes da simultânea, em uma roda informal no meio do palco, troquei muitas ideias a respeito de xadrez com os participantes. Eles demonstraram muito interesse em aprender mais do jogo e fizeram diversas perguntas que animaram a conversa, tornando esse encontro algo muito produtivo para todos ali presentes.

Além disso, no mesmo dia, mas na parte da manhã, foi realizado um torneio escolar que movimentou a garotada da cidade e arredores. Iniciativas como essas estão cada vez mais frequentes na região missioneira do Rio Grande do Sul. São Borja que fica a 107 km de São Luiz, também é outra cidade que tem jogadores se organizando para erguer o xadrez. O blogueiro e bom jogador Guilherme Moraes, o Guiga, vem já há algum tempo desenvolvendo iniciativas e projetos voltados ao xadrez escolar.

Só tenho a agradecer ao Rafael pelo convite e dizer que estou pronto para uma próxima camperiada dessas.

São Luiz Gonzaga, novembro 2012

"Eu me tapo de fumaça
E olho o tempo veterano
Entra ano e passa ano
Ele fica e a gente passa"
                            Jaime Caetano Braun





domingo, 2 de dezembro de 2012

V Aberto DC Shopping - Campeão!

Não poderia deixar passar em branco esse torneio aqui no blog. Afinal de contas eu venho postando sobre esse clássico torneio porto-alegrense desde sua primeira edição em novembro de 2010 (como o tempo passa!). E esse torneio, como se pode supor, foi para mim o mais especial - depois de nas quatro primeiras edições eu ter pontuado 5,5 dos 7 possíveis,  nessa eu fiz 6 pontos e saí campeão pela primeira vez. 

O torneio ocorreu sábado passado, dia 24 de novembro. Nessa edição participaram 60 jogadores vindos das cidades de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Dois Irmãos, Bento Gonçalves, Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Viamão e Bagé (terra de meu avô materno!). Ou seja, a região metropolitana compareceu em peso e a região interiorana foi muito bem representada pelos guerreiro pampeanos de Bagé. 

Em segundo lugar no torneio ficou Felipe Menna Barreto e em terceiro ficou Rodolfo Perondi, jogador que vem, embora com certa irregularidade, surpreendendo bastante nos últimos torneios. Depois de Barreto e Perondi vêm em quarto Antônio Rogério Crespo e em quinto Vinícius Budde (o primeiro amigo que anos atrás parou comigo diante de um tabuleiro e me ensinou com muita boa vontade alguma coisa de xadrez). 

Eduardo Munoa x Eider Cruz - novembro 2012

Minhas partidas mais importantes foram contra o Eduardo Munoa e o Felipe Menna Barreto. Enfrentei o Munoa na primeira rodada. Fato raro, mas que aconteceu por eu ainda não ter meu rating FIDE de xadrez rápido. No entanto, acho que poderia ter sido usado meu FIDE pensado ou mesmo meu FIDE blitz como segunda opção - dessa forma eu não ficaria tão embaixo na tabela de entrada do torneio, evitando assim um encontro decisivo desses já na primeira rodada. Não sei se essa minha ideia é possível, mas com certeza é algo a ser pensado. (Assunto melhor abordado nos comentários.)

Abaixo minha partida contra o Munoa. No último lance da partida ele entregou cavalo ao jogar 40.Cg7, mas, mesmo não tendo cometido esse erro, a situação dele já era crítica.


Contra o Felipe joguei na penúltima rodada. Como na partida contra o Munoa, gostei muito de como minhas peças jogaram ativamente inibindo os planos do meu adversário.


No mais, só tenho a agradecer a todos que torcem por mim e que estão do meu lado sempre: na vitória e na derrota. Estou muito feliz por, depois de tanto tempo me dedicando e tentando, ter sido campeão desse torneio, vencendo dois campeões gaúchos muito fortes. Por fim, parabéns aos organizadores pela competência de realizar a cada edição um torneio melhor.  

Foto com todos os premiados:

Porto Alegre, novembro de 2012

Mais informações e fotos:

It's a long way...




quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Entrevista com Arthur Ruiz Patroclo - Campeão brasileiro de xadrez rápido

Nome completo: Arthur Ruiz Patroclo
Cidade Natal: Porto Velho - RO
Idade: 21 anos
Rating FIDE: 2132 (novembro 2012)

Logo após o título houve confusão a respeito de teu Estado e cidade natal. Onde tu nasceu?
Eu nasci em Porto Velho RO dia 19 de outubro de 1991, mas a partir 2002 vivi em Aracaju SE.

Onde tu reside atualmente e por quê?
Eu moro em Pelotas.Vim para cá pelo ENEM. 
Que faculdade tu está fazendo? Qual universidade?
Faço Artes Visuais (Bacharelado) na Ufpel.
Que relação tu faz do xadrez com o teu curso? 
O meu curso tem muita relação com o xadrez. Afinal xadrez é uma arte rsrsrs. Meu pai sempre comentou comigo sobre Marcel Duchamp, o artista que abandonou tudo para dedicar-se ao xadrez e revolucionou a arte do século XX.Duchamp dizia: "Percebo que poucos artistas são enxadristas mas todo enxadrista é um artista." Lá na faculdade como no xadrez o que diferencia um do outro é o tipo de insanidade.
 Comotu aprendeu a jogar xadrez? 
Aprendi com meu pai, mas não era bom no jogo e tinha dificuldade de concentração. 
Teve algum bom professor ou tu é autodidata? 
Cheguei a ter 2 aulas com um rapaz em Porto Velho que não me lembro  o porque, mas ele era campeão de lá na época e me falou sobre a importância do centro.
Tive aulas com a Professora Clara em Aracaju. O que me impulsionou no aprendizado foi o PerssonalChesstrainer do Gilberto Milos. Tinha uma versão em casa, depois de começar a estudar por esse método (muito bom para mim naquela época que como disse tinha dificuldade de raciocínio e só contava com disciplina e força de vontade, repetir a posição várias vezes me ajudava a entender melhor). Depois de usar por alguns meses esse programa chamei a atenção de Chico Pitanga, uma pessoa fantástica que adora o xadrez, além de sempre me motivar, me contava muitas histórias sobre enxadristas famosos e me convidava para jogar com os mais velhos nos bares. Chico me apresentou a Goes, um senhor muito alegre que perdeu várias tardes comigo praticando “lance do mestre” e me ensinou a amar a Dragão.
 Quem foi teu maior incentivador?
Minha mãe sem dúvida. Sempre gostei de participar de competições, mas quando novo quase nunca ganhava. Estudei 5 anos de tênis de mesa,mas nunca fui bom. Quando comecei a estudar xadrez e participar de torneios aos 13 anos, sempre nos primeiros torneios perdia e voltava revoltado, minha mãe sempre me disse que deveria aprender a controlar a minha raiva e aprender a aceitar as frustrações (sempre tive problemas de gastrite). Ela me levou a muitos torneios e sempre paciente no retorno me ouvia, consolava e me dizia para estudar mais, confiando só nas minhas experiências.
Como tu costuma treinar? 
Eu hoje em dia não tenho uma rotina de estudo, faço exercícios táticos e estudo finais (um gosto que não sei de onde veio). Geralmente jogo partidas rápidas na internet e só estudo de maneira séria quando vou mal em um torneio, ou perco de maneira desastrosa. Faço às vezes também exercícios do midllegame da convekta.
 De que forma te preparou pra jogar o brasileiro? 
Na semana anterior do Brasileiro estudei 40 horas totais,totalmente focado em melhorar a concentração e seriedade com que encararia as partidas e estratégia. Além de muito exercício tático. Até cometi uma grave erro no estudo daquela semana que não tinha jogado, só estudado e praticado, a prática real faltou e todos os enxadristas sabem o mal que é estudar sem jogar. Reli  rapidamente. "Meu Sistema”, "Xadrez Vitorioso Estratégia”, estava muito revoltado com o xadrez ridículo que apresentei nos Jubs e tive a sorte de que pela greve minha universidade teve o calendário todo mudado e o mês de outubro não teve Aula.
Ao iniciar o torneio, tu tinha como foco o objetivo de se sair campeão?
Não, meu único foco era ficar entre os 5 colocados para ter dinheiro para jogar a Semi-final do Brasileiro região 2. Minha ideia era ir de lá de Forquilinhas para Vitória de ônibus e aproveitar no ônibus preparar o repertório de abertura que ia usar no torneio. Quando chegasse lá mendigaria para o Rodrigo Borges um pedaço do seu quarto, já que ele ganhou hospedagem em Dois Irmãos.
 Quando tu percebeu que o título brasileiro poderia ser teu, como tu te sentiu?
 Meio pressionado, mas tinha como foco os 5 primeiros,quando ia jogar com um dos mestres fazia uma oração interna (o que importa é o tabuleiro, ele não importa, o que importa é como está o tabuleiro). Meu maior medo era não ficar entre os 5. Comecei a pensar o tão frustrado ia ficar se não ficasse entre os 5. Tinha uma motivação oculta, queria impressionar uma certa guria importante para mim em Novo Hamburgo.
 E depois que tu confirmou o título, qual foi a primeira coisa que veio a tua cabeça?
Tenho que ligar para minha mãe, preciso dizer para ela que seu filho ainda pode ser o Super- Homem que dizia que seria quando tinha 5 anos. 
Tu superou jogadores fortíssimos e experientes ao longo do torneio, que característica do teu jogo tu acha que fez tu te sair vitorioso nesse torneio?
 Meu meio jogo nesse torneio estava bem consistente (diferente do Jubs). Conseguia entender bem o que a posição pedia e controlei bem o tempo também. 
Qual foi a partida mais especial do torneio? Por quê?
A minha partida contra o Disconzi. Ambos estávamos com 5 pontos e quem ganhasse seria o novo líder do torneio. Foi uma partida bem caótica usei um ataque índio do rei não ficando muito bem na abertura, sendo que hora um tinha a vantagem na mão, depois passava para outro. A partida teve 3 ofertas de empate durante. 2 dele e 1 minha e nenhum dos 2 parecia querer admitir para o outro o risco de perder.
 Gostaria de dedicar a alguém esse título? 
Gostaria de dedicar esse titulo a todos aqueles que não se importam com o próprio rating, muito menos de seus adversários. A todos aqueles que não temem o risco, que jogam xadrez porque amam e agradecem pela honra que é ter conhecido esse jogo durante a vida. E a todos aqueles que trocariam tudo isso por um sorriso de guria. 
Que trilha sonora tu escolheria para essa conquista?

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Arthur Ruiz Patroclo - respeitem esse jogador, ele é Campeão brasileiro!

O dia 28 de Outubro de 2012 será para sempre uma data muito especial para o Xadrez brasileiro e principalmente para Arthur Ruiz Patroclo. Ao vencer na última rodada o MF Flávio Olivência, o jogador Sergipano de 21 anos de idade sagrou-se o primeiro Campeão Brasileiro de Xadrez Rápido reconhecido pela FIDE. Na sua jornada enfrentou fortíssimos jogadores, entre eles quatro MF`s e um MI, finalizando o torneio com um rating performance de 2362. No presente post a gente vai acompanhar a saga de Patroclo no torneio e no próximo, como muitos devem estar curiosos para saber mais sobre esse jogador que arrematou esse importante título, acompanharemos uma excelente entrevista exclusiva concedida por ele para esse Blog.

Arthur, outubro de 2012.

Na primeira rodada Patroclo de negras enfrentou o enxadrista Derlei Florianovitz, um dos líderes da forte equipe de Chapecó. A seguinte posição crítica foi alcançada:

Derlei Florianovitz x Arthur Patroclo

Nas palavras de Patroclo: "apartir da posição foi jogado 1.... Bxf3 2. Bxf3 Dh4 3. Bxg4.fxg4 4.Cxg7.Rxg7 houve troca de damas e um final relativamente simples de vencer.


na segunda rodada jogou uma das partidas que com certeza foi uma das mais lindas do torneio: jogo ativo, pra cima, destemido, com direito a sacrifício e mate. Apreciem a análise do campeão brasileiro:

Arthur Ruiz Patroclo X MF Charles Gauche 

1.e4 c5 2.Cf3 a6 já tinha visto em torneios anteriores o Gauche jogando essa variante e perdendo de maneira esmagadora.Conhecia a idéia de levar para a Alapin fazendo com que o a6 parece bastante ilógico,tem uma partida do Grischuk vs Darcy Lima que vi a uns 2 anos atrás bem instrutiva dessa variante. 
3.c3 levando para a variante Alapin. 3. ... b4 fiquei surpreso com esse lance,não entendia  mais o que estávamos jogando,só fiz um desenvolvimento lógico mesmo.
4. d4 Bb7 5. Bd3 e6 confesso que não fiquei meditando que formação de peões meu adversário ia atuar.Em casos semelhantes,prefiro simplesmente ver um problema de cada vez,mas achava que a partida viraria uma Ruy Lopez,como o ritmo era de 25 minutos não dediquei nenhum segundo em cálculo na abertura,apenas fiz o café com leite.

6.0-0 cxd4 não entendi pq ele me daria a casa c3 para o Cavalo. Talvez esse lance seja um erro.Talvez uma formação ...d6,Cbd7,Be7 Com algumas prevenções em h7 antes do roque fosse preferível. 
7. cxd4 Cf6 8. Te1 Bb4 não entendia as intenções de abertura das negras. 
9. Cc3 


9. ... d5 momento critico da abertura,demorei alguns instantes para perceber o horrível bispo Branco que as negras tinham criado e a inútil casa que o cavalo buscava ir em e5,cheguei a ver por alguns instantes 10-exd5...mas ao ver o Cavalo indo a d5 a casa f6 para o outro quadrúpede,diagonal do bispo a8 h1 minha tendência a jogar com o peão de d isolado foi sasciada,as negras teriam superado os problemas na abertura meus olhos arderam.Busquei entender mais de perto que vantagem as negras esperariam ter em uma posição serrada.

10. e5 Ce4 é um cavalo bonito ninguém tem dúvida. 11. Bd2 Cxd2 conseguindo o par de bispo,perdendo tempo com trocas,e criando uma posição fechada,para os cavalos,alem de grandes possibilidades de um ataque ao rei para o bando branco.Gauche fez todos os lances com incrível convicção,nesse momento estava com uns 2 minutos de vantagem e não havia marcas de arrependimento.Manter o cavalo com 11-...Bxc3 pode ser melhor,mas a posição se simplifica muito e torna o jogo ainda mais simples para as brancas.Seguiria:12-bxc3.Cxd2.(Caso joguem f5,não precisaria pensar em variantes...a posição solta do rei negro+o buraco em e5,e a possibilidade de abrir o centro me dão boas expectativas)13-Dxd2.h6.e só a 2 planos:se as negras roçarem,as brancas põem tudo que puder na ala do rei e usa o peão de “c” como baba,se não roçarem,chumbo na outra ala com a4.Como são essas as possibilidades,faria h4,lance de espera que ganha espaço e prepara a abertura de uma coluna futura.e dependendo da resposta negra,um desses 2 planos seriam colocados em eficiência.

12. Dxd2 g6 me alegrava muito esse lance. Olhar o adversário criar buracos em seu campo próximo ao rei trás boas expectativas de harmonia de ataque.12-...h6 parece mais natural. 13. Dh6 Bf8 A dama só foi pra la para chamar o bispo mesmo ^ ^ 
14. Df4 Bg7 ambos os bispos estão problemáticos,faço uma serie de lances posicionais sem um objetivo predeterminado,apenas harmonia mesmo.as notas musicais que vi são.g5,f4,superproteção do peão de d... 15. h4 Cc6 16. Tc1 h5 17. g3 Bh6 18. Cg5 De7 19. Rg2 0-0 20. Ce2 Tac8 21. De3 Ca5 
22. b3 Da3 aqui fiz uma cara de desdém, e atuei um pouco parecendo preocupado as negras fizeram progresso na ala da dama.conquistaram a casa a3,meu próximo lance demonstra que a ala da Dama não tinha tanta importância assim... não calculei nada,apenas vi que a torre fora da defesa não iria para f4,após 23-Bxg5.fxg5,24-Dd3) 

23. Txc8 não calculei nada,apenas vi que a torre fora da defesa não iria para f4,após 23-Bxg5.fxg5,24-Dd3.Txc8 o mais cômico desse lance foi ver o gauche em duvida entre capturar de bispo e de torre,de bispo segue:24-Bb1.seguido da tomada da coluna de c,com o pensamento de que em um final o bispo ruim das negras pesaria ao meu favor Gauche tomou de torre com a mão tremendo como se dissese:é a coisa na ala do rei ta feia,espero que ele não veja um sacrifício. 


24.Bxg6! fiz esse lance muito rápido, Gauche fez o seu famoso mudra de mãos sobre a testa,agora ele pensou um pouco mais ainda parecia confiante.

24....fxg5 25. Dd3 um lance de ataque lento que só é possível pela falta de peças negras na ala do Rei,não sabia se teria força para um ataque decisivo,mas vi que pegaria 3 peões e o rei negro ficaria nu,isso já me assegurou proteção caso o lance no fundo fosse furado. O resto da vitória as peças fizeram sozinhas, eu apenas as movi.para onde elas diziam gostar mais. 
25...De7 26. Dxg5+Dg7 27. Dxe5+Rh8 28. Cf4.Bxg4 29. hxg4 Tc6 30. De8+Dg8 31. Dh5+ Dh7 32. De8+ Dg8 33. Th1+Rg7 34. De7+ abandono. O que mais gostei desse final foram as 2 peças fora de jogo das negras,isso me marcou e demonstra que o plano do Gauche não condizia com a realidade da posição.


Na terceira rodada Patroclo, jogando de negras, sofreu sua primeira derrota das duas no torneio ao enfrentar o MF Bolívar Gonzalez. Nas palavras dele mesmo "essa partida foi uma dragão, errei em não previnir uma manobra do cavalo b5, houve algumas complicações, ambos no final tínhamos menos de 50 segundos."


Na 4ª rodada Arthur enfrentou João Carlos Orguim e na 5ª jogando de negras enfrentou Claudionor Pirola. A partida segue abaixo, mas está incompleta. Patroclo novamente nos diz mais ou menos o que aconteceu: "Contra o Pirola, fomos para um final de torre e acabei pegando o peão de "e" (e5) dele. Depois para conseguir contra-jogo Pirola sacrificou o peão de "a", mais o de "g" e criou um peão passado em h. O mate ocorreu com peões de g e f na terceira fileira apoiando o mate com a torre em a1."


Na sexta rodada Arthur venceu o jogador curitibano Justo Reinaldo Chemin e na sétima e importantíssima rodada, Patroclo venceu jogando de brancas um dos melhores jogadores brasileiros:  o MI Rodrigo Disconzi. Arthur resume para nós suas impressões a respeito da abertura da partida:

"Na abertura fiquei com receio de abrir rapidamente o centro com os avanços padrões de d4 tornando o jogo demasiado aberto, mas confesso que fiquei mal por não realizar essa manobra lógica. Disconzi não soube aproveitar a posição depois de Dg4.tornava a pensar apenas em potencializar a coluna f e ganhar espaço na ala do rei.Mas com algumas manobras ruins dele de Cavalo,pude jogar em um dado momento c4(na abertura meu grande medo era sempre o avanço de d5,pensava se ele avançar,as coisas vão ficar dificeis),fechando o centro e diminuindo a partida a um simples tema de Cavalo superior a Bispo."



A partida continuou muito lutada e no desenrolar dos acontecimentos, a seguinte posição com o lance para as negras foi alcançada:

Arthur Ruiz Patroclo x Rodrigo Disconzi

Nas palavras de Patroclo: "No diagrama eu ofereci empate pro Disconzi ,pois na minha cabeça naquele momento Ba5 me deixaria em uma posição bastante restringida e que deveria tomar muito cuidado.Mas manobrando corretamente não a mal nenhum nesse lance. Aqui o Disconzi capturou de Dama o peão de b Dxb2. Segui com xeque em f1+ com a torre e tomada do peão de a branco. Segui com lances preventivos de torre diminuindo as possibilidades do bispo e tentando a infiltração delas na sétima, seguido da captura do bispo de alguma maneira que não me lembro. Disconzi continuou ate o final." 

Na oitava rodada, Arthur sofreu sua segunda derrota no torneio contra o forte jogador MF Haroldo Cunha dos Santos. Mas mesmo assim foi para a última rodada empatado com 6 pontos com outros 3 jogadores: o próprio MF Haroldo Cunha, o MI Rodrigo Disconzi e o MF Flávio Olivência. Disconzi empatou com o MF Frederico Matsuura, Haroldo perdeu para o MF Alfeu Bueno. Portanto a partida decisiva foi entre Patroclo e MF Flávio Olivência. Mais uma vez Arthur jogando de brancas foi para cima, sem medo de ser feliz. Não deu outra, foi coroado depois de uma bela partida como Campeão brasileiro de xadrez rápido. Apreciem a partida do título:



Depois dessa verdadeira epopéia Arthur Patroclo entrou para história. Saiu do anonimato rumo ao olimpo do xadrez brasileiro. Haroldo de Souza, narrador da rádio bandeirantes, sempre que (por exemplo) o Grêmio entra em campo, narra: "Aparece a máquina tricolor em campo, respeitem esse time, ele é campeão mundial!" Sempre que o Arthur estiver diante de um tabuleiro, lembrem-se: "respeitem esse jogador, ele é campeão brasileiro!"

Informações do torneio:
Chess-Results

Mais informações e fotos:
Xadrez Gaúcho