segunda-feira, 12 de março de 2012

XII Torneio Internacional Cidade de Porto Alegre

PREMIAÇÃO TOTAL DE R$ 3.000,00 E SORTEIOS DE ÓTIMOS BRINDES!

DATA: 31 de março de 2012.
LOCAL: Espaço de Eventos do Mercado Público de Porto Alegre – Largo Glênio Peres – Centro Histórico de Porto Alegre/RS.
INSCRIÇÕES: Limitadas aos 160 primeiros participantes que efetuarem o pagamento da sua respectiva taxa de inscrição:
R$ 10,00 PARA OS NASCIDOS A PARTIR DE 01/01/1994 E R$ 30,00 PARA OS DEMAIS.
 Antecipadas, através de depósito bancário efetuado até 29/03/2012.
Enviar e-mail para barretofkm@hotmail.com informando: NOME, E-MAIL, DATA DE NASCIMENTO E CIDADE.
Todos os e-mails de inscrição serão respondidos informando o valor EXATO da taxa de inscrição a ser depositada, no intuito de identificarmos perfeitamente seu depósito pelos centavos e garantirmos sua vaga (os valores depositados NÃO serão devolvidos). Somente efetue o depósito na conta abaixo após receber o seu código:
Banco Banrisul, Agência 0062, Conta Corrente 060275710-8, em nome de Metrópole Xadrez Clube CNPJ: 89270938/0001-35. No dia, caso ainda restem vagas, serão aceitas inscrições com as respectivas taxas majoradas em 50%.

MATERIAL: Os participantes devem trazer peças e relógios em boas condições de uso.
SISTEMA DA COMPETIÇÃO: Suíço em 7 rodadas por computador.
TEMPO DE REFLEXÃO: 20` X 20` nocaute.
CRITÉRIOS DE DESEMPATE: 1º Medianos, 2º Totais, 3º Berger, 4º Progressivo, 5º Número de vitórias e 6º Sorteio;
ARBITRAGEM E COORDENAÇÃO TÉCNICA: Metrópole Xadrez Clube.
PREMIAÇÃO: Troféus e medalhas para as categorias Absoluto, Amador (rating FIDE e/ou CBX menor que 2000), Sênior, Feminino, Sub-18, Sub-14 e Sub-10. Prêmios em dinheiro não cumulativos para as categorias Absoluto e Amador, o premiado fará jus ao de maior valor, conforme quadro abaixo:

ABSOLUTO R$ 2.500,00 
1º R$ 700,00 2º R$ 500,00 3º R$ 350,00 4º R$ 250,00 5º R$ 185,00
6º R$ 135,00 7º R$ 90,00 8º R$ 75,00 9º R$ 65,00 10º R$ 55,00
11º R$ 50,00 12º R$ 45,00

AMADOR R$ 500,00
1º R$ 150,00 2º R$ 100,00 3º R$ 80,00
4º R$ 70,00 5º R$ 60,00 6º R$ 40,00

PROGRAMAÇÃO:
08:00 – Recepção dos jogadores e início das inscrições no dia;
08:30 – Término das inscrições;
08:45 – Abertura, congresso técnico e divulgação da lista final de inscritos;
09:30 – Início da 1ª rodada;
10:30 – Início da 2ª rodada;
11:30 – Início da 3ª rodada;
12:30 – Intervalo para almoço;
14:00 – Início da 4ª rodada;
15:00 – Início da 5ª rodada;
16:00 – Início da 6ª rodada;
17:00 – Início da 7ª rodada;
18:00 - Sorteios de Brindes, Premiação e Encerramento.

REALIZAÇÃO: PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE - SECRETARIA MUNICIPAL DE ESPORTES, RECREAÇÃO E LAZER E METRÓPOLE XA-DREZ CLUBE.

domingo, 11 de março de 2012

II Torneio de Verão Soeral - Campeão!


O xadrez Porto-alegrense estava precisando de um evento como esse. O torneio se deu de forma tranquila nessa ensolarada tarde de sábado na redenção e pelo esforço do organizador do torneio Eduardo Tolentino tudo acabou em um coquetel de encerrameto após a premiação. Eu fui o campeão do torneio com 4,5 seguido de Guilherme Teixeira em segundo lugar e Márcio Dornelles em terceiro. Eu nunca tinha visto tanta vida no xadrez da SOERAL - muitas pessoas jogando, se movimentando, conversando e nada tira o brilho das coisas que funcionaram da maneira que tem que ser, nem mesmo o fato de eu ter sido tratado na quarta rodada de maneira pouco educado (para dizer o mínimo) pelo meu adversário Nelson Filippon, pela razão de eu ter resistido e vencido a partida mesmo com peça a menos.

Telmo Meyer e Eduardo Tolentino (Cegonha) 
Idealizadores do torneio

Uma das melhores partidas foi contra o Comeli (que descobri que se chama Irineu) e mesmo assim não foi tão boa como pressupus. Já no 23º lance percebi que a partida estava se encaminhando para a estagnação total e que um empate seria rapidamente acordado se alguma coisa não acontecesse, como se tratava de um torneio amistoso resolvi forçar os acontecimentos com 23. d5, sacrificando um peão, mas abrindo linhas para minhas peças. Logo em seguida eu inverto os lances que tinha idealizado e jogo 25. Te1 ao invés de antes 25. Dd3. Nesse momento eu poderia ter entrado numa fria caso meu adversário respondesse com 25. ... Dc5, trocando as damas e aniquilando as minhas chances de ataque, mantendo o peão a mais. Mesmo meu adversário não tendo respondido da melhor forma. a partida ainda continua pela corda bamba, mas no final tive mais sorte e coube a mim cometer o penúltimo erro, deixando o último para o meu adversário.

 


No torneio houve um choque de gerações muito bonito, dificilmente visto em outros esportes, mas que o xadrez é capaz de nos proporcionar. O jogador mais velho Pedro Greff e o jogador mais novo Guilherme Declerque se enfrentaram pela 3ª rodada. Guilherme é um novo talento que está surgindo - trabalhei um pouco o xadrez dele nas férias e ele tem evoluido muito rapidamente pois tem uma capacidade de dedicação incrível. Guilherme terminou em 6º no torneio, perdendo para mim e para o Márcio Dornelles, mas vencendo um jogador muito duro - o uruguaio Milton Martinez.




 Na foto abaixo podemos percerber O A.N. Leonardo Pereira (de azul) e um dos melhores jogadores gaúchos Felipe Menna Barreto (de pé à direita observando). Não participaram, mas deram uma passada para prestigiar o torneio. Na partida estão jogando Guilherme Teixeira x João Carlos Orguim.




Abaixo vídeo com o ambiente ao ar livre do clube. Os jogadores todos concentrados em suas partidas.



Nesse vídeo aparece o final do jogo entre Jailton (Juninho) x Chico. Podemos ver que depois de g3 do branco o rei negro poderia ter penetrado em h3, ao invés disso as negras jogaram e5 e decretaram o empate.


No próximo vídeo podemos ver a análise após o final da partida entre o Uruguaio Milton Martinez e Leandro Castro. Muitos jogadores conversando e trocando opiniões. É muita utopia querer que o xadrez seja sempre assim? 


O próximo vídeo mostra o momento em que, durante a cerimônia de premiação, o Cegonha dá uma premiação especial para Telmo Mayer, pelo seu constante incentivo ao xadrez no clube. Para quem não sabe, o Telmo, em seu tempo, arbitrou muitos torneios importantes Brasil afora.



O coquetel encerrou com chave de ouro o torneio.




Mais informações:


sexta-feira, 9 de março de 2012

Fantástico Torneio Aberto na Festa da Uva


Judit Polgar é a número 29 do mundo e eu fui o vigésimo nono na classificação final do torneio. E o que isso quer dizer?... absolutamente nada. Exceto se formos pensar pelo lado da informação. Minha colocação não foi a dos meus sonhos, mas também não tenho nada do que reclamar. Fiz os mesmos seis pontos da edição passada, a diferença foi que, no torneio em que jogou Ivanchuk, eu fiquei em quadragésimo lugar - 11 posições a menos na tabela de classificação. É bastante coisa. Em 2010 jogaram 292 jogadores e dessa vez foram 188: o preço exorbitante da inscrição espantou muita gente.



Foi um torneio muito bom de ser jogado e apreciado. Nele tive a oportunidade de ter jogado contra o melhor jogador argentino da atualidade, GM Diego Flores (2599), uma partida muito boa pela terceira rodada do torneio.

Diego Flores x Eider Cruz
Caxias do Sul 2012

Minhas melhores partidas foram contra os catarinenses Volmir Lupatto e Kléber Zimmermann. Infelizmente não lembrei as partidas na íntegra, mas foram partidas em que eu soube aproveitar bem os conhecimentos adquiridos acerca das posições alcançadas depois da abertura.

No torneio, Amazing Judit não massacrou. Cedeu três empates - para o GM argentino Sandro Mareco, pro GM Paraguaio José Fernando Cubas e pro MF Alfeu Bueno que, em manhã inspirada, jogou uma belíssima francesa e conseguiu segurar os ímpetos agressivos do estilo de Judit. Ímpetos esses que fizeram o lendário GM Milos parecer um amador nessa partida pelo torneio de mestres realizado antes do Torneio Aberto e que Judit venceu com extrema facilidade - mas afinal 100 pontos a mais de rating tem o seu significado.

 
É também preciso destacar a participação do atual campeão gaúcho Carlos Rodrigo Born, conhecido também como Batatinha. Ele venceu na última rodada o MI Dragan Stamenkovic e conquistou a décima colocação do torneio, ganhando premiação em dinheiro. Acima dele havia nada mais nada menos do que 9 Grandes Mestres.

Foto com os 10 primeiros colocados.

Matéria no ChessBase
A escassez de fotos e vídeos dessa edição é lamentável.

Fenômeno Judit Polgar

Lenda Viva GM Henrique Mecking

 GM Uruguaio Andrés Rodriguez

GM Giovanni Vescovi - Heptacampeão Brasileiro




sexta-feira, 2 de março de 2012

Judit Polgar massacrando na Festa da Uva.


Judit Polgar 2709 de ELO Fide e número 29 do mundo, depois de seu recesso para maternidade, voltou. E voltou em grande estilo. Pudemos acompanhar sua incrível perfomance ano passado na copa do mundo, quando ela foi capaz de eliminar de forma espetacular jogadores da elite do xadrez mundial como Movsesian, Karjakin e Leinier Dominguez, mas acabou sucumbindo diante do campeão russo Svidler. Para se ter uma noção da grande força de Judit, em seu match contra Lenier 2730 de ELO Fide e número 20 do mundo, ela começou perdendo de brancas, portanto, na partida seguinte de pretas somente a vitória interessava a ela. Judit nos brindou com essa bela partida, demonstrando técnica impecável de final para arrematar e igualar o placar:


Essa mesma moça que massacrou na copa do mundo 2011, está agora massacrando em Caxias do Sul. No mini-torneio disputado entre os Grandes Mestres Judit Polgar, Gilberto Milos, Henrique Mecking e Andrés Rodriguez, Judit conquistou o primeiro lugar, ficando com o dobro de pontos dos segundos colocados. Das seis partidas que ela disputou venceu 5 e perdeu apenas uma para Rodriguez. Hoje, 02 de Março, o match final entre o primeiro colacado e o segundo será disputado para definir o campeão. Gilberto Milos é que está no páreo - será que ele consegue repetir a façanha da última edição ao ter vencido Ivanchuk?

Estou viajando para jogar o torneio que já é clássico no calendário da Festa da Uva. Espero poder voltar com muita história e muita foto para poder divulgar aqui no blog. Lá teremos a oportunidade de ver em ação grandes jogadores como: GM Judit Polgar, GM Mequinho, GM Andrés Rodríguez, GM Diego Flores, GM Geovani Vescovi, GM Sandro Mareco, GM Gilberto Milos, GM José Cubas, GM Neuris Delgado, GM Felipe El Debs, GM Everaldo Matsuura, MI Dragan Stamenkovic, MI Robert Hungaski, MI Bernardo Rosseli.

Espero poder pegar algum deles no torneio.

Mais informações:

Vida em miniatura

Ray Charles para começar bem a viagem:


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Minha homenagem à Professora Sônia do Amaral Russo.

É com muito pesar que posto no meu blog a notícia de que na última quinta-feira dia 23 de fevereiro faleceu a minha primeira e única professora de xadrez: Sônia do Amaral Russo, vítima de Câncer de Mama contra o qual ela vinha lutando desde o início do segundo semestre de 2011. Muitos enxadristas ativos até hoje devem se lembrar dela, principalmente os enxadristas que frequentavam os torneios da SOGIPA quando comecei a jogar, pois, no início, a professora costumava me acompanhar em quase todos os torneios. Ela é muito importante para mim, não só no xadrez, mas também na vida. Por essa razão, como homenagem, vou escrever aqui um pouco da nossa história juntos com o xadrez. 

Foi na Escola Itália em meados do ano 2000 que fiquei sabendo que uma das professoras de Educação Física ensinava xadrez no turno inverso das aulas. Na época, eu estava na sétima série e tinha apenas 12 anos de idade. Eu me sentia completamente deslocado numa escola nova, onde a maioria dos meus colegas se conheciam desde as primeiras séries. As aulas de xadrez aconteciam nas terças e quintas feiras à tarde e foi aí que tive meu primeiro contato com a professora Sônia. O princípio foi difícil, o jogo parecia demais pra mim e eu não era o aluno mais brilhante - tinha muitas dificuldades nas matérias escolares. Mas aos poucos fui pegando o jeito e a professora com muita paciência me fez amar o xadrez.

Nunca esqueço da primeira aula que tive com ela. O primeiro passo foi arrumar as peças nos seus devidos lugares no tabuleiro. Ela me fez imaginar uma cidade enorme, com torres nas pontas onde os soldados guardavam e vigiavam o reino todo com sua visão privilegiada. Na sombra das torres descansavam os cavalos e os donos dos cavalos eram os bispos e depois vinham o rei e a rainha. À frente de todos os bravos peões que naquele momento mesmo aprendi: são a alma do xadrez. Depois disso, o movimento de cada peça, muita coisa para memorizar, eu fui tentando, errando, acertando, rindo, brincando com a professora e com meus colegas - lembro que certa vez peguei com muita confiança a minha dama lá da retaguarda e tomei uma importante peça da professora e ela disse: Sim, esse seria um bom lance se essa peça não fosse o teu rei e apontando disse ainda: A tua dama é essa aqui.

Não parei de jogar. Jogava todos os dias com meu grande amigo Fábio e aos poucos nós fomos evoluindo. Foi a partir do momento que a professora Sônia nos "emprestou" o primeiro livro - Xadrez Básico do D'agostine (tenho ele até hoje guardado comigo e nunca o devolvi, apesar de algumas investidas da professora para tê-lo de volta) - que eu comecei a me diferenciar dos meus adversários, amigos, vizinhos, do meu pai e também da professora. Como consequência minhas notas no colégio começaram a melhorar e muito e as minhas dificuldades de aprendizado desapareceram de uma ano para o outro e eu nunca mais precisei me preocupar com o meu rendimento escolar. Por essa razão também sou muito grato à professora Sônia - não fosse os esforços dela em ensinar xadrez sem apoio nenhum da escola, sem pedir nada em troca, talvez eu não estivesse hoje prestes a me formar no curso de Letras da UFRGS.

Depois de ter me ensinado a jogar e me emprestado o livro a Professora Sônia começou a me levar aos primeiros torneios e então comecei a jogar na SOGIPA. A Professora orgulhosa apresentou seu aluno para o Diretor do Departamento de Xadrez Fred Shaffer e para os demais jogadores - eu, desde aquela época muito tímido, creio que não abri a boca para nada: só queria jogar xadrez. Fiquei admirando o pessoal adulto conversando sobre xadrez, na minha concepção eram todos mestres de alto gabarito e o meu sonho era ser como eles e falar sobre coisas complexas do xadrez exatamente como eles estavam conversando. Enfrentei meu primeiro adversário em torneios no dia 05 de abril de 2001 e ele foi o João Carlos Orguim - eu apenas um guri franzino - ele alto, forte, com óculos fundo de garrafa e com ar de intenso pensador - apesar do receio em enfrentar tal adversário, eu ainda tinha a ingênua confiança de que poderia derrotar qualquer um, foi assim que a professora Sônia tinha me motivado e, afinal, eu tinha estudado seriamente o D'agostine. Durante a partida, pela falta de costume, eu esquecia de apertar o relógio depois de meus lances e a professora lá de longe ficava me olhando e fazendo um gesto de cima para baixo com sua mão - ela repetiu esse gesto muitas vezes pelos menos nas primeiras 5 partidas que joguei na SOGIPA, até que eu comecei a apertar no relógio automaticamente depois de meus lances.



Como os torneios na SOGIPA são à noite, a professora Sônia me levava em casa depois de cada rodada. Se não fosse assim acredito que meus pais não me deixariam participar. Depois descobrimos que o Fred morava próximo a minha casa e ele muito gentilmente passou a me deixar na porta da minha casa após as rodadas.

No primeiro torneio perdi 4 partidas das 5: Orguim, Ari Born, Manuel Burigo e Homero. Mas também obtive o meu primeiro triunfo jogando contra o Jorge Santos. Comemoramos muito eu e a professora e repassamos a partida diversas vezes.




No lance 25 dessa partida, ela questionou: Por que tu entregou o teu bispo? E eu tive a oportunidade de explicar pra ela a teoria da simplificação de Capablanca. Agora era ela também que estava ávida por aprender mais sobre xadrez.

Continuei jogando na SOGIPA e para ampliar meus horizontes a professora passou a me levar nos torneios escolares do Professor Homero Gomes no colégio Liberato em Novo Hamburgo. Nos acordávamos bem cedo e nos encontrávamos no centro de Porto Alegre para pegar o ônibus. Durante a viagem conversávamos e resolvíamos exercícios variados, não só de xadrez.

Nesse meio tempo a professora, como sócia-atleta da SOGIPA, tirava livros pra mim da biblioteca do clube e eu podia escolher quantos eu quisesse. Dessa forma eu constantemente estava lendo coisas novas sobre xadrez e o meu mundo do xadrez que até então era limitado às verdades do D'agostine, passou a se ampliar aos poucos. E aqui eu toco num ponto importante do meu relato: Qual é a tarefa de um professor? ensinar. Sim, muito bem. Mas muito mais do que isso, motivar o seu aluno a ir em busca do conhecimento, contruir junto com ele o conhecimento, deixá-lo sempre com a certeza de que há muito a aprender e motivá-lo mesmo que o caminho seja longo e doloroso a encará-lo de frente. A professora Sônia não tinha grande conhecimento específico de xadrez, mas soube me auxiliar, me indagar, me instaurar dúvidas e me fornecer todas as ferramentas possíveis que estavam ao alcance dela para saná-las e para que eu pudesse continuar evoluindo. E graças a minha vontade aliada aos esforços da professora eu evolui. A minha melhor partida desse meu primeiro ano de xadrez foi contra o Fred Shaffer jogada no dia 16 de agosto de 2001:




Repassei a partida para a professora. Não preciso nem falar do orgulho e da felicidade que ela sentiu e me expressou abertamente com muita festa. Pode parecer exagerado falar dessa maneira, mas não tenho vergonha em dizer que foi sim uma grande conquista. Para nós dois. No outro ano eu já estava enfrentando os jogadores da SOGIPA de igual para igual.




Infelizmente os anos vão passando e os contatos vão se perdendo. Quando terminei o ensino fundamental tive que trocar novamente de escola pela sétima vez, pois a escola Itália na época não tinha ensino médio. Por isso, comecei a encontrar a professora somente de vez em quando na SOGIPA antes das rodadas. Ela queria muito que eu a ensinasse o que eu estava aprendendo e pude dar umas três aulas pra ela. Depois deixei um pouco o xadrez de lado para fazer outras coisas e fiquei um bom tempo sem vê-la. Apenas trocávamos alguns e-mails. Mas então a professora começou o curso de agronomia na UFRGS e podemos nos encontrar várias vezes para almoçar no RU no Campus do Vale e colocar nossa conversa em dia. Depois perdemos de novo o contato e eu não sei se ela ficou sabendo do meu enfrentamento contra o Kasparov.

A saudade já está doendo e tudo o que eu queria nesse momento era poder ligar pra ela pra combinar de tomar um café e ensinar mais um pouco de xadrez pra professora que com recursos tão escassos foi capaz de mudar a minha vida.

Muito obrigado, Professora Sônia do Amaral Russo.

Infelizmente não tenho nenhuma foto com ela, mas é exatamente assim que era será lembrada.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

II Torneio de Verão Rápido de Xadrez e Damas - Soeral

É enorme a minha satisfação em divulgar esse torneio, pois tenho grande carinho por esse clube que fica ao ar livre na redenção. Desde muito piá o frequento e lá tive o prazer de fazer muitos amigos ao longo dos anos com os quais nos finais das tardes, sempre que posso, tomo um cafezinho, bato umas peças e trovo fiado dando muitas risadas. Quem ainda não conhece o local, não pode deixar de dar uma passada lá, se não para jogar o torneio, pelo menos para conhecer. O clube fica aberto de domingo a domingo o dia todo. O pessoal do xadrez chega mais ou menos pelas 14h e fica até o anoitecer. Quem tiver interesse em saber mais sobre as atividades do clube é só acessar o Blog da Soeral.
 


FOLDER DO TORNEIO

Dia 03/03/2012 Damas
Dia 10/03/2012 Xadrez

Sistema Suíço 5 Rodadas

Tempo de reflexão 30min KO

14 hs Congresso Técnico 14:20 1ª rodada - 14:20

Premiação:
Categorias: Geral – SUB 60 – Classe B ( rating até 1600 )
Medalha para os três primeiros colocados
Premiação dos patrocinadores.

Inscrição R$ 7,00 antecipada e R$ 10,00 na hora para sócio
R$ 10,00 antecipada e R$ 12,00 na hora para não sócio

Número de vagas limitadas em 24 jogadores.

Informações e inscrições direto na sociedade com Cegonha ou Sadi ou pelo telefone 8117-2268 (tim) com Cegonha


Clique no mapa para vê-lo melhor.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Aberto do Brasil Nova Petrópolis - mais um pouco de notícia.


Pronto. Chega de férias. E como não curto muito Carnaval, mas me enche de energia o iminente feriadão, vamos colocar as mãos à obra e, nesse caso, eu não poderia deixar de escrever algumas linhas sobre o torneio aberto de Nova Petrópolis. Minha participação foi bem mediana e não tenho nenhuma partida que valha a pena ser comentada, mas o torneio em si teve algumas partidas bastante interessantes. O campeão foi o MI Uruguaio Bernardo Roselli, em segundo o MI Rodrigo Disconzi seguido em terceiro lugar pelo GM Everaldo Matsuura e em quarto pelo MF Luiz Ney Menna Barreto - todos os 4 com 5 pontos. Os critérios de desempate para mim e para muitos acredito que foram uma grande surpresa:

1º critério - Confronto Direto (código 11)
2º critério - Maior nº de vitórias (código 12)
3º critério - Maior nº de partidas com peças pretas (código 53)
4º critério - Buchholz com corte do pior resultado (código 37)
5º critério - Buchholz sem corte (código 37)  

Talvez o uso dessa ordem de critério seja explicável  para um torneio fechado, pois quando se faz uso dele para um torneio aberto, abre-se espaço ainda maior para o quesito "Sorte no emparceiramento" o que, na minha opinião, não é a forma mais justa de se decidir um campeão de torneio. Mas o Diretor do evento Fenando Barros explicou que estava seguindo ordens da CBX que por sua vez estava acatando as ordens da FIDE e o torneio seguiu com a aprovação dos critérios por todos ali presentes.


A partida do título de Roselli foi jogada pela última rodada contra o Eduardo Munoa. O jogador gaúcho tem tido bons resultados contra a variante Mar del Plata da índia do rei, mas dessa vez, depois da sorte da partida ter lindamente caminhado pela corda bamba, Munoa teve que amargar a derrota.  Destaque especial ao corajoso 49. ... d5 do Mestre Uruguaio, colocando na prática o belo conceito de bloqueio.



 Preparando a arena para enfrentar o Grande Mestre.

É importante também dar destaque à participação feminina da Bi-Campeã brasileira WMF Vanessa Feliciano que vem demonstrando jogo muito forte e seguro, mesmo contra os mestres e já está passando dos 2200 de rating FIDE. Dessa vez ela empatou pela 4ª rodada com o GM Everaldo Matsuura e com o MI Dragan Stamenkovich pela 5ª, mas perdeu na última rodada para o MF Luiz Ney Menna Barreto. Abaixo o seu empate contra o 10º Grande Mestre brasileiro:



Algumas fotos tiradas no decorrer do evento:

 Os catarina não perdem tempo e se preparam em equipe para a próxima rodada, lembrando os tempos da máquina de xadrez soviética - da esquerda para direita: Kleber Zimermann, Dalvan Franceschina, Derlei Florianovitz e Yussanã.

Guilherme Teixeira, Anderson Donay e Benevenga analisando depois da rodada.
Podemos perceber que Guilherme está prestes a fazer o moon walk depois de ter achado um lance brilhante.

Os árbitros da competição AR Kléber Padoin e AN Leonardo Pereira.
Pedi pro Leonardo tentar fazer cara de homem, mas acho que ele não levou muito a sério meu pedido.

MF Flávio Olivência e Sabrina - esposa do campeão do torneio.
"no, no, OliVência con la V de vaca... así"


Mais informações sobre o torneio:


domingo, 15 de janeiro de 2012

Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço - Parte III

A posição abaixo foi jogada pela 5ª rodada dos Jogos Universitários 2011. Até então eu contava com 3 pontos e uma vitória nessa partida me colocaria junto aos líderes. Saí da abertura muito contente com a posição alcançada. 1º em minha estrutura não há debilidades latentes, enquanto o peão c3 e o peão de a3 brancos são visivelmente alvos. 2º Tenho posse da coluna "c", o que faz a pressão sobre o peão c3 ainda mais forte. 3º Meu bispo de casas brancas junto com meu cavalo controlam casas importantes do centro. O ponto forte da posição das brancas é a atividade de suas peças, mas não é claro como irão explorar a forte colocação de seu cavalo de e5 e a boa casa de seus bispos. O sacrifício Cxf7 não funciona pois Txf7 seguido de Bd5 resolve os problemas das pretas.


Leonardo de Oliveira x Eider Cruz PGN
Posição após 17. Ce5

O meu plano foi traçado da seguinte maneira: se o peão de c3 desaparecer, o peão de d4 ficará mais fraco, além de eu poder controlar a casa d5 de forma muito mais livre e usá-la como ponto forte para a ativação de minha peças. No entanto fui muito ansioso na hora de colocar em prática esse meu plano e deliberadamente criei fraquezas na minha posição até então muito sólida e dei ao branco tudo o que ele queria para melhorar o jogo de suas peças: alvos. 

A partida continuou da seguinte maneira: 17. ... b5? Mais forte era 17. ... Ce4! que além de trocar peças para diminuir o perigo da atividade branca, coloca pressão imediata sobre c3. Por exemplo, 18. Bxe7 De7 19. Tdc1 e a posição branca é muito desconfortável. 18. Ba2? Mas as brancas respondem também com um erro e Ce4 se torna ainda mais poderoso. 18. ... Ce4 e se 19. Bxe7 Dxe7 o peão de b5 preto se torna imune e o peão de c3 branco inevitavelmente cairá. Então as brancas teria que jogar 19. Bd2 Cxc3 20. Bxc3 Txc3 21. Db5 as debilidades brancas de d4 e a3 tornam a posição do branco muito delicada.  Mas ao invés do fortíssimo Ce4, joguei o ansioso 18. ... Txc3 crente de que o peão de a3 também cairia e assim eu venceria o final. No entanto, há muitas peças ainda em jogo e o final ainda está longe de ser alcançado. 

19. Dxb5 Da8 e o ditado "capivara não pode ver peão" é a crônica dessa partida. Sem perceber, eu troquei por um simples peão todas as vantagens de minha posição. 19. Dc7 ainda manteria as brancas em estado de alerta. 20. f3 Txa3 Finalmente o fim do meu plano equivocado.


21. Bc4? Mas novamente o branco responde com um erro. Correto seria 21. Tdb1 Bc8 com aproximada igualdade, pois apesar do peão a mais as peças negras estão descoordenadas. Note que 21. ... Bd5 poria a iniciativa do lado do branco. 22. Bxf6! gxf6 (se 22. ... Bxf6  então 23. Bxd5 seria mortal) 23. Bxd5 Dxd5 24. Dxd5 exd5  e veja que triste fim teria a antes sólida cadeia de peões negros.

21. ... Ba6 22. Dc6 Bxc4 23. Dxc4 Graças ao erro no 21º lance branco, eu consegui trocar algumas peças e manter o meu peão a mais. Nesse momento era hora de colocar atividade na coluna "c" com ideia também de defender o peão que se encontra carente de proteção com Tc7. No entanto, eu achei que o Tc8 pudesse ser jogado no próximo lance e joguei. 23. ... Txa1? 24. Txa1 e agora me dei conta que minha manobra Tc8-c7 já não é mais possível por causa do simples Txa7. Agora o meu peão de "a" está fadado à morte, pois a atividade das peças brancas é muito superior às peças negras e então percebi que todos os meus esforços da abertura e do meio jogo me renderiam a partir desse momento no máximo o meio ponto. 24. ... Cd5 25. Bxe7 Cxe7 26. Dc5 Dd5 27. Txa7 e o empate foi acordado. 1/2-1/2

E finalmente chegamos ao final do último post da saga de retrospectivas. Os detalhes (que fazem toda a diferença) avaliados nesses três artigos nos fazem desperdiçar em diversas ocasiões posições promissoras. Mas não é só a mim que eles prejudicam na hora de alcançar posições melhores nas tabelas de classificação: eles acompanham pelo mundo inteiro jogadores de todos os níveis - de aspirantes a Grandes Mestres. Por isso é preciso estar atento e em constante reflexão sobre essas sutilezas da nossa ciência, para que com a objetividade da nossa avaliação possamos alcançar os sonhados saltos de qualidade que nos farão um dia alcançar o olimpo do xadrez. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Torneio Aberto do Brasil - Nova Petrópolis RS


Aberto do Brasil de Xadrez
Nova Petrópolis - RS R$ 5.500,00
Duas vagas para Semifinal Brasileiro Absoluto Registro
 FIDE: 64727

Data: 27 a 29 de janeiro de 2012.

Público alvo: Aberto a todos os enxadristas cadastrados na CBX, com a anuidade de 2012 em dia.

Diretor do Torneio: André Boff (Diretor do Clube Recreio da Juventude de Caxias do Sul)

Diretor Técnico do Torneio: Fernando Barros (Sócio da BR Xadrez)

Árbitro Principal: AR Leonardo Pereira (RS) Árbitros auxiliares: AR Ladir Brandt (RS), AR Cléber Padoin (SC)

Assessoria de informática: Josemar Zuhl e Gianfranco Deotto

 Local do torneio: Centro de Eventos de Nova Petrópolis

Transmissão: Site da BR Xadrez – www.brxadrez.com.br

Programação:
Sexta, 27/01:
13h00 às 13h30:  Recepção para as últimas inscrições
13h45: Congresso Técnico
14h00: 1ª rodada
19h00: 2ª rodada

Sábado, 28/01:
08h30: 3ª rodada
14h30: 4ª rodada

Domingo, 29/01:
08h30: 5ª rodada
14h30: 6ª rodada
19h00: Cerimônia de Premiação

Inscrição: www.brxadrez.com.br


Importante:
- O valor nominal será acrescido, centavos, dos dois últimos algarismos do ID CBX. Este número será a identificação do enxadrista.
- Favor levarem no dia da competição o recibo de depósito.
- Ex: José da Silva, ID CBX número 25.214.
- Valor a ser depositado: R$ 50,14 (cinqüenta reais e quatorze centavos) Taxa de inscrição; Até dia 15 de janeiro: R$ 50,00 (acima de 18 anos – nascidos antes de 1993) R$ 30,00 (sub-18 anos – nascidos a partir de 1993) Após 15 de janeiro: R$ 80,00 (acima de 18 anos - nascidos antes de 1993) R$ 40,00 (sub-18 anos – nascidos a partir de 1993)

GM e MI: Isentos Obs: Nenhum enxadrista poderá participar do torneio se não realizar a inscrição e não efetuar o pagamento da taxa de inscrição. É obrigatório que o jogador esteja cadastrado na CBX e com anuidade de 2012 quitada. Pagamento da inscrição com depósito na conta: Banco do Brasil: 001 Agência: 0407-3 Conta corrente: 25.875-X Favorecido: Fernando Só Barros da Silva CPF: 509.410.200-10

Premiação:  R$ 5.500,00 Geral:
1º - R$ 1.250,00                  6º - R$ 350,00
2º - R$ 900,00                     7º - R$ 300,00
3º - R$ 700,00                     8º - R$ 250,00
4º - R$ 500,00                     9º - R$ 200,00
5º - R$ 400,00                     10 - R$ 150,00

Categorias especiais:
Melhor Feminino: R$ 200,00
Melhor Juvenil (= ou < 1992): R$ 200,00
Melhor Nova Petrópolis: R$ 100,00

Observações: Sistema de jogo: Suíço em 6 (seis) rodadas. Ritmo de jogo: 90´KO +30” de bônus por lance ou 2h KO. Trazer um jogo de peças e relógio em bom estado de funcionamento. Organização: Confederação Brasileira de Xadrez - CBX Realização: BR Xadrez Apoio: Prefeitura Municipal de Nova Petrópolis Wizard Idiomas de Nova Petrópolis

Informações:
fernandobarros@brxadrez.com.br e/ou fone (54) 8425-0274 c/Fernando
ladirbrandt@brxadrez.com.br e/ou fone (54) 8418-1203 c/Ladir

domingo, 8 de janeiro de 2012

Exercício VIII

O problema abaixo foi tirado da partida entre o GM Grischuk e o MI Vladimir Genba, jogada pela primeira rodada da Copa do Mundo de Xadrez que ocorreu no ano passado. A partir da posição apresentada, Grischuk precisou de apenas alguns lances para fazer seu adversário se render. A pergunta é: como? Deixe sua respota nos comentários.


Jogam as brancas e vencem.

Grischuk, Alexander x Genba, Vladimir
Copa do Mundo 2011